Ana não sabia o que fazer desde que o evento ocorreu, ela já não tinha a que se apagar ou acreditar.
Nunca esperara nada grandioso da vida, porém nunca pensou que seria vitima de uma tragédia literária como as dos protagonistas de Sófocles.
Após anos de sofrimento, fome e dor Ana arruma um emprego de recepcionista numa clínica na área nobre da cidade, é mal remunerada, e tem que trabalhar doze horas diárias. Mas ela não sabe ainda que sua vida poderia ficar pior.
Tendo retornado a clínica após a sua folga semanal, é interpelada pelo patrão que a acusa de irresponsável e assassina. É que desde a última sexta-feira, após Ana ter entregado os resultados dos exames a certo paciente ocorreu uma fatalidade, o paciente cometeu o suicídio após constatar sua soropositividade. Agora sua família processava a clínica que errou ao trocar o resultado dos exames na hora da entrega.
Ana não entendia como isso foi acontecer, tinha certeza que o erro não era seu, mas resolveu não contestar, acatou a demissão por justa causa. Retornando para casa avistou um bar na esquina e logo pensou qual seria seu novo emprego. Tornou-se cantora e dançarina do Colon, o bar da Rua do Taboão.
Quem sou eu
- Amaral Souza De
- Salvador, Bahia, Brazil
- A língua está em mim, me perpassa, faz parte da minha formação como ser social inserido num grupo. Compõe ainda a minha própria formação acadêmica já que resolvi após o primeiro curso superior (Administração), cursar Letras. Essa língua me representa em todos meus conflitos, pois suas características são iguais as minhas, um ser multifacetado, de exterior sóbrio e estático, mas no íntimo um turbilhão em movimento. Assim como um rio congelado que apresenta a sua superfície estática, mas o seu interior está sempre em movimento, num curso perene. Capacidade de adaptação e compreensão com singularidade e regionalidades tolerantes como próprios à língua. Escrever é para mim, como respirar, sinto essa necessidade e é através da escrita como afirmou Aristóteles que transitamos desde o terror até a piedade de nós mesmos e do outro. Esse ofício da escrita nos eleva, nos projeta, nos ressignifica quando tocamos o outro com as nossas palavras, seja no universo ficcional, biográfico ou autobiográfico. Escrever é uma necessidade, escrever é transpirar no papel as nossas leituras.

.jpg)
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluir