Quem sou eu

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Salvador, Bahia, Brazil
A língua está em mim, me perpassa, faz parte da minha formação como ser social inserido num grupo. Compõe ainda a minha própria formação acadêmica já que resolvi após o primeiro curso superior (Administração), cursar Letras. Essa língua me representa em todos meus conflitos, pois suas características são iguais as minhas, um ser multifacetado, de exterior sóbrio e estático, mas no íntimo um turbilhão em movimento. Assim como um rio congelado que apresenta a sua superfície estática, mas o seu interior está sempre em movimento, num curso perene. Capacidade de adaptação e compreensão com singularidade e regionalidades tolerantes como próprios à língua. Escrever é para mim, como respirar, sinto essa necessidade e é através da escrita como afirmou Aristóteles que transitamos desde o terror até a piedade de nós mesmos e do outro. Esse ofício da escrita nos eleva, nos projeta, nos ressignifica quando tocamos o outro com as nossas palavras, seja no universo ficcional, biográfico ou autobiográfico. Escrever é uma necessidade, escrever é transpirar no papel as nossas leituras.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

IDENTIDADE



O meu amor me deixou, levou minha identidade. Não sei mais bem onde estou. Nem onde a realidade. O meu amou me deixou, levou minha identidade, não o documento, mas a constituição do meu ser, meus valores, ideais, minha essência.
Vivia para ele, para agradá-lo. Sentia-me feliz quando fazia-o feliz. Agradava-o com baquetes e carinhos.
Numa manhã de terça, desapareceu. Domingo ligou, mas logo desligou aborrecido com a notícia financeira, depois disso? É o início da história, abandonou-me por completo não sei onde anda, o quer ou faz, não aparece mais, não liga, já não me quer.
Quem sou? Já não sei, minha identidade está nele não sei qual é.

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