Quem sou eu

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Salvador, Bahia, Brazil
A língua está em mim, me perpassa, faz parte da minha formação como ser social inserido num grupo. Compõe ainda a minha própria formação acadêmica já que resolvi após o primeiro curso superior (Administração), cursar Letras. Essa língua me representa em todos meus conflitos, pois suas características são iguais as minhas, um ser multifacetado, de exterior sóbrio e estático, mas no íntimo um turbilhão em movimento. Assim como um rio congelado que apresenta a sua superfície estática, mas o seu interior está sempre em movimento, num curso perene. Capacidade de adaptação e compreensão com singularidade e regionalidades tolerantes como próprios à língua. Escrever é para mim, como respirar, sinto essa necessidade e é através da escrita como afirmou Aristóteles que transitamos desde o terror até a piedade de nós mesmos e do outro. Esse ofício da escrita nos eleva, nos projeta, nos ressignifica quando tocamos o outro com as nossas palavras, seja no universo ficcional, biográfico ou autobiográfico. Escrever é uma necessidade, escrever é transpirar no papel as nossas leituras.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

VERÃO




O desconhecido sempre chegava próximo. Às vezes até sentia-o de perto. Outras pensava que havia-o alcançado.
Sempre quando estava feliz, logo vinha à mudança, como num dos contos de Perrault, o conto de fadas, tudo se desfazia em abobora ou lágrimas de sofrimento.
Há um ano, era feliz, agora próximo ao verão pensa, quer entender, o que o afastou da felicidade. A felicidade era seu namorado, juntos faziam planos, ou será que só ele planejava, enquanto o outro divagava?
Hoje percebe que sonhara só. O outro não levava seus planos a sério, afastamento, desinteresse, abandono, ostracismo.
O desconhecido, nunca chegara a sentir. Ainda continua sem conhecer esse sentimento inalcançável, o amor.

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