Quem sou eu

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A língua está em mim, me perpassa, faz parte da minha formação como ser social inserido num grupo. Compõe ainda a minha própria formação acadêmica já que resolvi após o primeiro curso superior (Administração), cursar Letras. Essa língua me representa em todos meus conflitos, pois suas características são iguais as minhas, um ser multifacetado, de exterior sóbrio e estático, mas no íntimo um turbilhão em movimento. Assim como um rio congelado que apresenta a sua superfície estática, mas o seu interior está sempre em movimento, num curso perene. Capacidade de adaptação e compreensão com singularidade e regionalidades tolerantes como próprios à língua. Escrever é para mim, como respirar, sinto essa necessidade e é através da escrita como afirmou Aristóteles que transitamos desde o terror até a piedade de nós mesmos e do outro. Esse ofício da escrita nos eleva, nos projeta, nos ressignifica quando tocamos o outro com as nossas palavras, seja no universo ficcional, biográfico ou autobiográfico. Escrever é uma necessidade, escrever é transpirar no papel as nossas leituras.

quarta-feira, 14 de março de 2012

RICHTER 6.7



Um emaranhando de sentimentos. Agora me encontro só, busco-me em meio à confusão estabelecida na minha gênesis. Um tremor me invade, sinto o prenúncio do fim. O final da estabilidade ou seria da dependência?
Independo-me do sentimento, torno-me invulnerável, resolvo pela autossuficiência, não preciso de metades para me completar;
Estou completo, preenchido pela decisão.
Ocupa-me demasiadamente, aprendo a insensibilidade, sufoco o sentimento, banalizo a dor, naturalizando o sofrimento. O vazio no meu olhar cinde a alma no grau 6.7 da Richter.

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