Tendo Platão e Aristóteles tratado da representação clássica, em
que para o primeiro a arte possuía fins didáticos e éticos, e para o segundo a
arte era considerada imitação do mundo real, Cervantes inaugura a modernidade
da representação com sua obra “Dom Quixote de La Mancha”.
A obra de Cervantes chama atenção para a crise que se instaura na
linguagem, demonstrada através de valores antigos (ética dos antigos cavaleiros
medievais). Há um choque linguístico e cultural porque o personagem está
inserido num mundo em que destoa dos seus próprios valores éticos e culturais.
Nesse período havia uma associação do signo ao objeto sem
questionamentos (arbitrária), o que irá acarretar na modernidade uma crise na
linguagem e consequentemente na literatura, por essa trabalhar com uma
linguagem (a literatura tem a sua representação através da linguagem).
Segundo Compagnon (1999) se representamos algo, no mínimo há um
real (referente), porém não palpável, por ser representado através dos recursos
da linguagem. Essa real que nos é representado através da linguagem, não
conhecemos, tomamos conhecimento desse real através dos discursos históricos.


Nenhum comentário:
Postar um comentário