Sempre fora destaque nos esportes, exibido, atrevido, desafiava a todos no vôlei, futebol, tênis e no atletismo.
No clube, passava o dia na quadra de tênis ou a beira da piscina pegando sol. Os pés estavam sempre tocando a água, e quando convidado para dar um mergulho, desculpava-se dizendo que o cloro fazia mal à sua pele e ao seu cabelo.
Certo dia após ter atendido ao seu anseio consumista, tendo passado no Shopping, adquirido novas roupas entre elas uma sunga, resolvera ir à praia. Em lá chegando observava tudo à sua volta e percebia que aquilo era diferente do clube que freqüentava. Ali tudo parecia mais real, mais natural, vislumbrado pelas ondas do mar e pelas pessoas que se divertiam nadando, inclusive as crianças. Resolveu dar um mergulho, afinal que mal poderia haver naquela água que ia e vinha molhando a areia, convidando-o a se entregar nos seus braços espumantes?
Num movimento abrupto, põe-se de pé e logo está lá, dentro do mar. Agora percebera que se afastara demais da paria e lembrara-se que não sabia nadar. A aflição, a vergonha, o medo de reconhecer que não era o atleta perfeito que todos consideravam devido às suas gabolices. Então surge o ódio, ódio do mundo, de todos que sabiam nadar e se exibiam por isso.
Desesperado e com vergonha de sinalizar ao salva-vidas, olhava ao redor na esperança de alguém o socorrer, ou o mar devolvê-lo à praia numa onda. Agora entendia que as pessoas valiam mais do que ele sempre as considerava.
Percebendo a agitação do mar, e que submergia a cada minuto, grita desesperado: socorro, socorro! Em um piscar de olhos os salvas-vidas entram em ação.
Ao chegar na praia, era um novo homem, seu orgulho e altivez fragmentados faziam parte de um mosaico que ainda iria tecer, num futuro inglório.


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