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Salvador, Bahia, Brazil
A língua está em mim, me perpassa, faz parte da minha formação como ser social inserido num grupo. Compõe ainda a minha própria formação acadêmica já que resolvi após o primeiro curso superior (Administração), cursar Letras. Essa língua me representa em todos meus conflitos, pois suas características são iguais as minhas, um ser multifacetado, de exterior sóbrio e estático, mas no íntimo um turbilhão em movimento. Assim como um rio congelado que apresenta a sua superfície estática, mas o seu interior está sempre em movimento, num curso perene. Capacidade de adaptação e compreensão com singularidade e regionalidades tolerantes como próprios à língua. Escrever é para mim, como respirar, sinto essa necessidade e é através da escrita como afirmou Aristóteles que transitamos desde o terror até a piedade de nós mesmos e do outro. Esse ofício da escrita nos eleva, nos projeta, nos ressignifica quando tocamos o outro com as nossas palavras, seja no universo ficcional, biográfico ou autobiográfico. Escrever é uma necessidade, escrever é transpirar no papel as nossas leituras.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

O AMANTE INCONFIÁVEL


Perdera a inocência não se sabe quando nem como. A virgindade foi aos 15 com uma nega, vizinha sua, da casa da Ilha.
Seu nome? não se lembra, também não importa, já que sabe contar a historia certinha com riqueza de detalhes. Já ficavam há algum tempo, certa tarde combinaram de namorar na casa da vó Dinorah, e lá aconteceu, ele sem muita experiência, e ela sem muito jeito, foram forçando até que ela sentiu muita dor e algum sangramento sujando de sua cueca que não retirara durante o ato, apenas abaixara até os joelhos.
Pela noite se encontraram e toparam fazer novamente e dessa vez tudo foi mais fácil, agora ela sentia prazer e ele acreditava ter adquirido experiência, pois aquela já era a sua segunda vez.
Daí em diante choveu pretendentes, novas, velhas, feias, bonitas, amigas, vizinhas e ele pegava todas, tentando conciliar os dias nomes e horários para não dar rolo.
Todas acreditavam que puxara a seu pai que era cafajeste e mulherengo e outras coisas mais que pela história do filho deduz-se.
Tinha características de malandro, o bom malandro carioca que sabe equilibrar-se na corda bamba.  Aproveitava todas as oportunidades que a vida lhe proporcionava e tirava lucro de todas.
Tornou-se inconfiável porque sempre envolvido com várias mulheres nunca se apegou a nenhuma. Nem àquela que lhe dera uma filha, a qual lhe pôs o nome lua,  em Latim.
Os homens o amavam, mas ele só queria se divertir com eles, explorando-os ao máximo, tinha um jeito sedutor de saber pedir e conseguir o que sempre desejava. Era bruto, grosseiro, rude, mas sabia atrair os homens para si com sua sensualidade malandra.
Quando brigavam sempre conseguia inverter a situação a seu favor e de vez em quando, tinha lapsos morais e religiosos dizendo que o que fazia sabia ser errado, mas quando o seu companheiro que era bem resolvido respondia que não queria forçá-lo a nada, e que se ele não estava em paz com o relacionamento eles terminariam, não queria ficar com alguém com crises de consciência. Ele logo ponderava: como irei pagar minhas contas, meus luxos, sustentar o vício das drogas? E logo aceitava manter o relacionamento, pois sabia que sua mãe não lhe daria a boa vida que tinha, explorando mulheres carentes e homens que o amavam. Ele era meia boca com os homens, mas sua sorte é que todos o amavam não se sabe o porquê, mas o fato é que seu jeito cativava, apesar de que não era belo, educado, nem culto, apenas um malandro; o amante inconfiável.

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