Quem sou eu

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Salvador, Bahia, Brazil
A língua está em mim, me perpassa, faz parte da minha formação como ser social inserido num grupo. Compõe ainda a minha própria formação acadêmica já que resolvi após o primeiro curso superior (Administração), cursar Letras. Essa língua me representa em todos meus conflitos, pois suas características são iguais as minhas, um ser multifacetado, de exterior sóbrio e estático, mas no íntimo um turbilhão em movimento. Assim como um rio congelado que apresenta a sua superfície estática, mas o seu interior está sempre em movimento, num curso perene. Capacidade de adaptação e compreensão com singularidade e regionalidades tolerantes como próprios à língua. Escrever é para mim, como respirar, sinto essa necessidade e é através da escrita como afirmou Aristóteles que transitamos desde o terror até a piedade de nós mesmos e do outro. Esse ofício da escrita nos eleva, nos projeta, nos ressignifica quando tocamos o outro com as nossas palavras, seja no universo ficcional, biográfico ou autobiográfico. Escrever é uma necessidade, escrever é transpirar no papel as nossas leituras.

terça-feira, 26 de julho de 2011

O SABER




No ano da formatura, ela achava-se irrequieta, nada a agradava, tudo a irritava, partilhava um sentimento estranho de realização e vazio ao mesmo tempo.
O recebimento do diploma não lhe trouxera felicidade, sentia-se inútil num mundo Burguês. Provara o conhecimento desse grupo e agora tornara-se como eles, a Burguesia esclarecida, podre de escrúpulos, mercenária, materialista, trocara a sua sensibilidade pelos títulos acadêmicos. Percebia-se traidora de si . Agora entendia a lacuna que perpassa a vida dos catedráticos e as várias tarefas ocupadas por eles a fim de preencher essa ausência de sentido presente à sua existência.

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