Quem sou eu

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Salvador, Bahia, Brazil
A língua está em mim, me perpassa, faz parte da minha formação como ser social inserido num grupo. Compõe ainda a minha própria formação acadêmica já que resolvi após o primeiro curso superior (Administração), cursar Letras. Essa língua me representa em todos meus conflitos, pois suas características são iguais as minhas, um ser multifacetado, de exterior sóbrio e estático, mas no íntimo um turbilhão em movimento. Assim como um rio congelado que apresenta a sua superfície estática, mas o seu interior está sempre em movimento, num curso perene. Capacidade de adaptação e compreensão com singularidade e regionalidades tolerantes como próprios à língua. Escrever é para mim, como respirar, sinto essa necessidade e é através da escrita como afirmou Aristóteles que transitamos desde o terror até a piedade de nós mesmos e do outro. Esse ofício da escrita nos eleva, nos projeta, nos ressignifica quando tocamos o outro com as nossas palavras, seja no universo ficcional, biográfico ou autobiográfico. Escrever é uma necessidade, escrever é transpirar no papel as nossas leituras.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

SEGREDOS



O coração congelava sempre que o via seu comportamento se alterava sentimentos conflitantes: ódio, amor, raiva e desejo.
A sensação de ser desprezado pelo outro que nem mesmo o conhecia, não parava de crescer dentro dele.
Procurava sempre um jeito de chamar-lhe a atenção. Não se conheciam, nunca se falaram, mas existia entre eles um desconforto, o que alguns chamam de antipatia a primeira vista.
Um, mauricinho, bem nascido, os pais possuíam posses e lhe proporcionaram boa vida, apesar de que ele não aproveitava as oportunidades, vivia dissolutamente.
O outro, mauricinho, pobre, os pais falidos e separados, não podiam lhe sustentar, ele trabalhava e estudava, era brilhante. Gostava de luxo, e elegância, a ninguém transparecia a sua penúria, menos ainda ao seu rival e amado. Para quem aparecia sempre em destaque bem arrumado e com cara de felicidade, apesar de por dentro estar em pedaços, vazio de afetos e cheio de preocupação com o futuro instável e assustador.

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