Estar ali era difícil, olhava a paisagem, o clima frio, o meu cansaço dos dias da viagem repercutiram no corpo.
Agora só restava aquela cena, o vazio do desbravador que ao chegar ao termo da sua viagem nada encontra. O que lhe restará? Os sapatos gastos, as meias sujas e os pés cansados.
Meus pensamentos fervilhavam dentro de mim, como um fantasma, uma imagem fantasmagórica que me observava na minha inutilidade de conquistador inútil, sem conquistas alcançadas.
Porém a cada amanhecer, senta-me revigorado. A imagem do fantasma desaparecia e como a Fênix ressurgindo das cinzas, minha esperança, meu desejo pelo novo, pelo desconhecido, pela aurora da vida fazia-me continuar, romper o ovo e sair em busca do desconhecido mundo das possibilidades.
No entanto, sabia que essas possibilidades poderiam não ocorrer ao certo, pois seu nome já deixava claro: eram apenas possibilidades. E a noite a imagem fantasmagórica reaparecia levando-me a ponderar sobre as conquistas e os fracassos.
Agora buscava compreensão para tudo que experimentara nessas viagens, tudo que vira; tudo que sentira. Seu maior desejo era retornar, estar em casa, quieto, como quem está no seu próprio íntimo, a sós com sua nudez.
O regresso parecia uma viagem eterna, a figura de uma Deusa me observava no horizonte que parecia se afastar a cada avanço da embarcação que seguia seu curso tranquilamente. Às vezes tinha a impressão que a figura da mulher desaparecia ou se transmutava em ilhas, pedras ou barcos.
Quando desembarquei, ao pisar em terra firme tive a sensação de nunca ter partido; as torres da cidade figuravam troféus, como se pretendessem homenagear aquele cavaleiro das águas.


Nenhum comentário:
Postar um comentário