Quem sou eu

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Salvador, Bahia, Brazil
A língua está em mim, me perpassa, faz parte da minha formação como ser social inserido num grupo. Compõe ainda a minha própria formação acadêmica já que resolvi após o primeiro curso superior (Administração), cursar Letras. Essa língua me representa em todos meus conflitos, pois suas características são iguais as minhas, um ser multifacetado, de exterior sóbrio e estático, mas no íntimo um turbilhão em movimento. Assim como um rio congelado que apresenta a sua superfície estática, mas o seu interior está sempre em movimento, num curso perene. Capacidade de adaptação e compreensão com singularidade e regionalidades tolerantes como próprios à língua. Escrever é para mim, como respirar, sinto essa necessidade e é através da escrita como afirmou Aristóteles que transitamos desde o terror até a piedade de nós mesmos e do outro. Esse ofício da escrita nos eleva, nos projeta, nos ressignifica quando tocamos o outro com as nossas palavras, seja no universo ficcional, biográfico ou autobiográfico. Escrever é uma necessidade, escrever é transpirar no papel as nossas leituras.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

ARMADURA





A angústia a tomava, o desânimo a dominava, sentia suas forças se esvaírem todas as manhãs. Um sentimento de conquista vã a perseguia. Assim era o interior de Maria, uma tormenta que devastava seu exterior.
Não estava feliz, apesar de obter algumas conquistas, sua aparência era sofrível.
A motivação a deixara, não possuía mais a vontade de viver, de vencer, diziam alguns que um anjo negro pousara perto dela.
Caminhava na vida como um zumbi, ia ao trabalho, a igreja, ao mercado, sempre de forma dispersa, parecia um autômato, vivia em um estado alterado de espírito. Quando inquirida sobre esse comportamento afirmava que dessa forma, estava protegida das doenças do coração: o amor e a paixão.


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