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A língua está em mim, me perpassa, faz parte da minha formação como ser social inserido num grupo. Compõe ainda a minha própria formação acadêmica já que resolvi após o primeiro curso superior (Administração), cursar Letras. Essa língua me representa em todos meus conflitos, pois suas características são iguais as minhas, um ser multifacetado, de exterior sóbrio e estático, mas no íntimo um turbilhão em movimento. Assim como um rio congelado que apresenta a sua superfície estática, mas o seu interior está sempre em movimento, num curso perene. Capacidade de adaptação e compreensão com singularidade e regionalidades tolerantes como próprios à língua. Escrever é para mim, como respirar, sinto essa necessidade e é através da escrita como afirmou Aristóteles que transitamos desde o terror até a piedade de nós mesmos e do outro. Esse ofício da escrita nos eleva, nos projeta, nos ressignifica quando tocamos o outro com as nossas palavras, seja no universo ficcional, biográfico ou autobiográfico. Escrever é uma necessidade, escrever é transpirar no papel as nossas leituras.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Mas afinal, o que é Literatura?




Culler problematiza o conceito de literatura para demonstrar que o conceito estrito (específico) é o que nos interessa, porém não é definido facilmente: Literatura é uma relação de linguagem com uma cultura e um contexto no qual a literatura está inserida.
A literatura é sempre uma relação com: outra obra, textos teóricos, obras literárias.
Culler afirma ainda que o texto literário apresenta características como: complexidade, multissignificação, criação, variedade, predomínio da conotação e ênfase no significante. No entanto, apesar da literatura conter essas características (Literariedade), para Culler, ela não se limita só a isso, porque a literatura é ampla.
Já para Barthes a literatura assume vários saberes por que todas as ciências estão presentes no momento literário de forma indireta da reflexividade, e isso é um processo infinito.
Barthes (1989) em seu texto Aula, valoriza a variedade linguística do tratar da liberdade utópica de escolhas que os indivíduos possuem de poder escolher uma linguagem segundo as suas perversões e não segundo a lei.
Barthes trata ainda sobre o poder do deslocamento que a literatura exerce sobre os indivíduos (leitores) e ainda sobre o próprio escritor (autor) e cita que este pode tentar fugir do que produziu (obra escrita), mas não dos seus pensamentos (a obra internalizada no seu consciente).
Logo, podemos depreender também a ligação que a literatura faz entre texto escrito (a obra) e o teatro através da língua.
A literatura através da semiótica (traduções Intersemióticas) trabalha com signos desenvolvendo a linguagem em todos os campos da ciência, daí a multiplicidade dos saberes.
É a partir desses conceitos de literatura e de texto literário que Hoisel (2002) irá fazer suas considerações. Para Hoisel, o texto define-se como qualquer discurso, qualquer malha significante que pode ser lido, relido, e escrito, reescrito em cada leitura. Constitui-se um mosaico de citações, contribuição de vários autores diacrônicos e sincrônicos.
Segundo Hoisel, a leitura é um duplo gesto que consiste em decodificar/codificar o tecido textual há uma possibilidade infinita de interpretações de um mesmo texto. Nesse exercício, o leitor é aquele que traduz um código para outro. Podendo ser descompromissado ou criterioso quanto à leitura que está fazendo (decodificando/codificando).
No entanto o texto pode apresentar um caráter de mascaramento, que consiste na capacidade que o texto artístico possui de permanecer imperceptível diante da percepção do leitor. Já o estranhamento, consiste em dar uma nova visão do objeto e não o seu reconhecimento, subvertendo expectativas lógicas, psicológicas, científicas do receptor.
Hoisel trata ainda da mensagem estética, afirmando que esta se apresenta estrutura da de modo ambíguo e surge como auto-reflexiva, isto é, quando pretende atrair a atenção da obstinatario para a forma dela mesma – mensagem. Possui capacidade infinita de renovação da linguagem, e a auto-reflexividade que é a possibilidade de dar forma e demonstrar experiências, um poema é sempre sobre outro poema (desmonta a tradição, dialoga, apresenta nova perspectiva).

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