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A língua está em mim, me perpassa, faz parte da minha formação como ser social inserido num grupo. Compõe ainda a minha própria formação acadêmica já que resolvi após o primeiro curso superior (Administração), cursar Letras. Essa língua me representa em todos meus conflitos, pois suas características são iguais as minhas, um ser multifacetado, de exterior sóbrio e estático, mas no íntimo um turbilhão em movimento. Assim como um rio congelado que apresenta a sua superfície estática, mas o seu interior está sempre em movimento, num curso perene. Capacidade de adaptação e compreensão com singularidade e regionalidades tolerantes como próprios à língua. Escrever é para mim, como respirar, sinto essa necessidade e é através da escrita como afirmou Aristóteles que transitamos desde o terror até a piedade de nós mesmos e do outro. Esse ofício da escrita nos eleva, nos projeta, nos ressignifica quando tocamos o outro com as nossas palavras, seja no universo ficcional, biográfico ou autobiográfico. Escrever é uma necessidade, escrever é transpirar no papel as nossas leituras.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

UFBA - Teoria da Representação da Literatura e da Cultura - Paulo Souza de Amaral ( Barthes sobre autoria)



O texto mais representativo sobre a morte do autor é o de Barthes, embora a estética da recepção já tratasse desse assunto, não questionava a autoridade do autor sobre sua obra.
O texto de Barthes estrutura o assunto de forma mais organizada, questionado a autoridade do autor.
Barthes (1987) objetivava fechar o campo epistemológico que valorizava o autor, como se o texto fosse à biografia do autor, essa corrente de pensamento seria prejudicial para os estudos literários, segundo Barthes, por acreditar que o entendimento da obra só seria possível através do conhecimento do autor, seu contexto social, suas experiências etc. Desse modo, seria impossível para o leitor depreender o sentido do texto, já que a leitura era fechada.
Para Barthes da um autor a um texto é impor a esse texto um mecanismo de segurança, é dotá-lo de um significado último, por isso Barthes vai descontruir essas noções elencando a palavra escritor para evitar associações com afigura do autor antigo, pois o indivíduo não é mais o responsável pelo texto, ele é construto de linguagem do texto, (apagamento das características individuais do sujeito que escreve).
Mais tarde Foucault (1992) resgata a importância do autor, sem dar relevância à sua autoridade, Foucault afirma que devido à função poética o autor perdeu a autoridade sobre o texto literário-referencialdade específica. Com isso Foucault objetivou problematizar as condições de funcionamento de determinados discursos como: a figura do autor, a noção de obra etc. Segundo Foucault não existia teoria da obra, a noção de obra remete a uma leitura fechada, atribuir certas características a obra/autor acarretaria em um fechamento da concepção do discurso literário.
Todas essas reflexões vão culminar no texto de Barthes que trata da morte do autor em detrimento do leitor que se revela o ser total da escrita, pois para Barthes o texto (obra) é feito de escritas múltiplas, saídas de várias culturas e que dialogam um com as outras na figura do leitor, onde se inscrevem todas as citações de que uma escrita é feita, o leitor é um homem sem história, sem biografia, sem psicologia, é apenas esse alguém que têm reunidos num mesmo campo todos os traços que constituem o escrito.   

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