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A língua está em mim, me perpassa, faz parte da minha formação como ser social inserido num grupo. Compõe ainda a minha própria formação acadêmica já que resolvi após o primeiro curso superior (Administração), cursar Letras. Essa língua me representa em todos meus conflitos, pois suas características são iguais as minhas, um ser multifacetado, de exterior sóbrio e estático, mas no íntimo um turbilhão em movimento. Assim como um rio congelado que apresenta a sua superfície estática, mas o seu interior está sempre em movimento, num curso perene. Capacidade de adaptação e compreensão com singularidade e regionalidades tolerantes como próprios à língua. Escrever é para mim, como respirar, sinto essa necessidade e é através da escrita como afirmou Aristóteles que transitamos desde o terror até a piedade de nós mesmos e do outro. Esse ofício da escrita nos eleva, nos projeta, nos ressignifica quando tocamos o outro com as nossas palavras, seja no universo ficcional, biográfico ou autobiográfico. Escrever é uma necessidade, escrever é transpirar no papel as nossas leituras.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

UFBA - Teoria da Representação da Literatura e da Cultura Paulo Souza de Amaral

PLATÃO E O SIMULACRO



 Reverter o platonismo deve significar, ao contrário, tornar manifesta à luz do dia essa motivação, encurralar essa motivação tal como Platão encurrala o sofista.
A dialética platônica se constitui de rivalidades (dos rivais ou dos predentendes), a essência está em profundidade na seleção da linhagem – distinguir o verdadeiro pretendente dos falsos.
O mito é o elemento integrante da própria divisão. Assim o mito constrói o modelo de análise de acordo com o qual os pretendentes devem ser julgados e sua pretensão medida – autenticação da ideia. Platão objetivou distinguir a essência e a aparência, o inteligível e o sensível, a ideia e a imagem, o original e a cópia o modelo e o simulacro, Platão divide em dois o domínios das imagens – ídolos: cópias ícones e simulacros fantasmas. A motivação platônica foi selecionar os pretendentes distinguindo: as boas e as más cópias, cópias bem fundadas e simulacros submersos da dessemelhança. A cópia é uma imagem dotada de semelhança, o simulacro uma imagem sem semelhança. O simulacro inclui em si o ponto de vista diferencial, o observador faz parte do próprio simulacro, que se transforma e se deforma com seu ponto de vista: o devir-louco.
O platonismo funda o domínio da representação preenchido pelas cópias ícones e definido numa relação intrínseca ao modelo ou fundamento. O desdobrar da representação como bem fundada e limitada como representação finita e antes o objeto de Aristóteles: A representação vai dos mais altos gêneros a menores espécies e o método de divisão toma então seu procedimento tradicional de especificação que não tinha em Platão, é o terceiro momento da representação, quando sob influência do cristianismo se procura torná-la infinita, fazer valer para ela uma pretensão sobre o ilimitado.
Assim podemos elencar a dualidade da estética: teoria da sensibidade como forma de experiência possível; e a teoria da arte como reflexão da experiência real. Logo, percebemos que reverter o platonismo significa introduzir a subversão nesse mundo já que o simulacro nega tanto o original como a cópia, tanto o modelo coma a reprodução.
Assim na modernidade, potência do simulacro, cabe à filosofia destacar da modernidade o intempestivo.

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