Quem sou eu

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Salvador, Bahia, Brazil
A língua está em mim, me perpassa, faz parte da minha formação como ser social inserido num grupo. Compõe ainda a minha própria formação acadêmica já que resolvi após o primeiro curso superior (Administração), cursar Letras. Essa língua me representa em todos meus conflitos, pois suas características são iguais as minhas, um ser multifacetado, de exterior sóbrio e estático, mas no íntimo um turbilhão em movimento. Assim como um rio congelado que apresenta a sua superfície estática, mas o seu interior está sempre em movimento, num curso perene. Capacidade de adaptação e compreensão com singularidade e regionalidades tolerantes como próprios à língua. Escrever é para mim, como respirar, sinto essa necessidade e é através da escrita como afirmou Aristóteles que transitamos desde o terror até a piedade de nós mesmos e do outro. Esse ofício da escrita nos eleva, nos projeta, nos ressignifica quando tocamos o outro com as nossas palavras, seja no universo ficcional, biográfico ou autobiográfico. Escrever é uma necessidade, escrever é transpirar no papel as nossas leituras.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O VOTO




Ela sentia ausência de tudo, um grande vazio por dentro, a alma não a preenchia.
A solidão a acompanhava como sua própria sombra projetada do corpo pela luz.
Não possuía mais esperança, anoitecera e envelhecera o sentimento, já não guarda o momento.
Vive seu motivo, anda sem razão, machucara o coração.
Casou-se muito cedo, por conveniência. Não. Não era interesseira, não ambicionara grandes coisas, seu pai a obrigara cumprir o voto, seria bom para todos.
Em dez anos veio o desgaste, amanhece solitária no quarto da fazenda, tendo como herança dez cabeça de rês e um velório a realizar. O tempo desigual na idade a fizera viúva aos vinte e cinco anos, vivera infeliz por onze anos. Agora viveria só.

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