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A língua está em mim, me perpassa, faz parte da minha formação como ser social inserido num grupo. Compõe ainda a minha própria formação acadêmica já que resolvi após o primeiro curso superior (Administração), cursar Letras. Essa língua me representa em todos meus conflitos, pois suas características são iguais as minhas, um ser multifacetado, de exterior sóbrio e estático, mas no íntimo um turbilhão em movimento. Assim como um rio congelado que apresenta a sua superfície estática, mas o seu interior está sempre em movimento, num curso perene. Capacidade de adaptação e compreensão com singularidade e regionalidades tolerantes como próprios à língua. Escrever é para mim, como respirar, sinto essa necessidade e é através da escrita como afirmou Aristóteles que transitamos desde o terror até a piedade de nós mesmos e do outro. Esse ofício da escrita nos eleva, nos projeta, nos ressignifica quando tocamos o outro com as nossas palavras, seja no universo ficcional, biográfico ou autobiográfico. Escrever é uma necessidade, escrever é transpirar no papel as nossas leituras.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

LITERATURA BRASILEIRA E A CONSTRUÇÃO DA NACIONALIDADE




Canivez (1991) problematiza o conceito de cidadania para demonstrar que a cidadania é uma noção marginal (caduca). Nessa perspectiva, o autor afirma que a cidadania não confere valor ou dignidade suplementar ao indivíduo. Apenas sanciona uma situação de fato: a de que quase todos os cidadãos herdam uma nacionalidade ao nascer.
Essa nacionalidade confere direitos de específicos, consideráveis, como o direito de voto (apesar de parecer dever), direito à educação, e dever de defesa nacional. No entanto esses direitos e deveres não constituem o principal da vida cotidiana, que é a vida do trabalho.
Outro aspecto abordado pelo autor sobre a construção da cidadania é o da identidade nacional. Sobre esse conceito, Roberto da Mata afirma que a identidade nacional tende a homogeneizar a suprimir as diferenças em busca de uma nacionalidade. Há uma grande diversidade que cria identidades culturais individuais, o que problematiza a definição do conceito de nacionalidade.
Desse modo, Mata (2001) conclui que a construção de uma identidade (seja pessoal ou social) é feita de afirmativas e negativas diante de certas questões.
Hall (2004) por sua vez, afirma que a identidade está profundamente envolvida no processo de representação. Assim a modelagem e remodelagem de relações espaço-tempo no interior de diferentes sistemas de representação têm efeitos profundos sobre a forma como as identidades são localizadas e representadas.
Said (1990) afirma que todas as identidades estão localizadas no espaço e tempo simbólico. Said denomina isso de geografia imaginária. Assim as identidades nacionais são formadas e transformadas no interior da representação, essa representação se dá como um conjunto de significados pela cultura nacional de qualquer país em questão.
Desse modo, a nação no imaginário do povo, não é apenas uma entidade politica, mas algo que produz sentidos-um sistema de representação cultural (cidadania). As pessoas participam da ideia da nação tal como representada em sua cultura nacional.
Logo podemos perceber que uma nação é uma comunidade simbólica e é isso que explica seu “poder” para gerar um sentimento de identidade e lealdade (cidadania).
Segundo Schwarz (1986), essa cultura nacional (formação) contribuiu para criar padrões de alfabetização universais, estabelecer uma única língua como meio dominante de comunicação em toda nação, criou uma cultura homogênea e manteve instituições culturais.
As culturas nacionais são compostas de instituições culturais, símbolos e representações. Desse modo, uma cultura nacional é um discurso, um modo de construir sentidos que influencia e organiza tanto nossas ações quanto a concepção que temos de nós mesmos como cidadãos.
As culturas nacionais ao produzir sentidos sobre “a nação” e “cidadania”, sentidos com os quais podemos nos identificar, constroem identidades. Esses sentidos estão contidos nas estórias (história) que são contadas sobre a nação memórias que conectam seu presente com seu passado e imagens que dela são construídas.
Diante disso, Anderson (1983) afirma que a identidade nacional é uma “comunidade imaginada”.



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