Canivez
(1991) problematiza o conceito de cidadania para demonstrar que a cidadania é
uma noção marginal (caduca). Nessa perspectiva, o autor afirma que a cidadania
não confere valor ou dignidade suplementar ao indivíduo. Apenas sanciona uma
situação de fato: a de que quase todos os cidadãos herdam uma nacionalidade ao
nascer.
Essa
nacionalidade confere direitos de específicos, consideráveis, como o direito de
voto (apesar de parecer dever), direito à educação, e dever de defesa nacional.
No entanto esses direitos e deveres não constituem o principal da vida
cotidiana, que é a vida do trabalho.
Outro
aspecto abordado pelo autor sobre a construção da cidadania é o da identidade
nacional. Sobre esse conceito, Roberto da Mata afirma que a identidade nacional
tende a homogeneizar a suprimir as diferenças em busca de uma nacionalidade. Há
uma grande diversidade que cria identidades culturais individuais, o que
problematiza a definição do conceito de nacionalidade.
Desse
modo, Mata (2001) conclui que a construção de uma identidade (seja pessoal ou
social) é feita de afirmativas e negativas diante de certas questões.
Hall
(2004) por sua vez, afirma que a identidade está profundamente envolvida no
processo de representação. Assim a modelagem e remodelagem de relações
espaço-tempo no interior de diferentes sistemas de representação têm efeitos
profundos sobre a forma como as identidades são localizadas e representadas.
Said
(1990) afirma que todas as identidades estão localizadas no espaço e tempo
simbólico. Said denomina isso de geografia imaginária. Assim as identidades
nacionais são formadas e transformadas no interior da representação, essa
representação se dá como um conjunto de significados pela cultura nacional de
qualquer país em questão.
Desse
modo, a nação no imaginário do povo, não é apenas uma entidade politica, mas
algo que produz sentidos-um sistema de representação cultural (cidadania). As
pessoas participam da ideia da nação tal como representada em sua cultura
nacional.
Logo
podemos perceber que uma nação é uma comunidade simbólica e é isso que explica
seu “poder” para gerar um sentimento de identidade e lealdade (cidadania).
Segundo
Schwarz (1986), essa cultura nacional (formação) contribuiu para criar padrões
de alfabetização universais, estabelecer uma única língua como meio dominante
de comunicação em toda nação, criou uma cultura homogênea e manteve
instituições culturais.
As
culturas nacionais são compostas de instituições culturais, símbolos e
representações. Desse modo, uma cultura nacional é um discurso, um modo de
construir sentidos que influencia e organiza tanto nossas ações quanto a
concepção que temos de nós mesmos como cidadãos.
As
culturas nacionais ao produzir sentidos sobre “a nação” e “cidadania”, sentidos
com os quais podemos nos identificar, constroem identidades. Esses sentidos
estão contidos nas estórias (história) que são contadas sobre a nação memórias
que conectam seu presente com seu passado e imagens que dela são construídas.
Diante
disso, Anderson (1983) afirma que a identidade nacional é uma “comunidade
imaginada”.


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