Meu
sorriso me envelhece, olho mil imagens nenhuma com antes. O anterior parece não
mais existir. Quem é aquele homem da imagem? Feições juvenis, alma aprisionada
pelo pudor alheio.
Nunca
aparentei a idade. O físico negava o Cronos, apesar de o psicológico estar
sempre bem avançado, (sempre fora um homem a frente do seu tempo). Não aceitava
a prisão, arrumara uma forma de projetar-se para fora dela; a violência.
Era
normalmente pacato, não promovia a violência, mas também não buscava
erradica-la, apresentava-a aos que lhe insultavam, e nisso ele era terrível.
Na
juventude harmonizara-se com o equilíbrio. Controlara seus impulsos.
Mas
a cada dia o prisioneiro tentava libertar-se através de sinais transgressores da
ordem moral da sociedade hipócrita.
Enfim
libertara-se de tudo que o aprisionava: a família, os amigos, a religião, o
trabalho. Nada mudou, apenas deixou de usar a máscara exigida pela sociedade,
agora era ele mesmo sem farsas.
E
era mais bonito assim, ele mesmo, mais jovem, mais disposto, sem ilusões, nem
obrigações para com o sistema, tornara-se livre.


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