Quem sou eu

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Salvador, Bahia, Brazil
A língua está em mim, me perpassa, faz parte da minha formação como ser social inserido num grupo. Compõe ainda a minha própria formação acadêmica já que resolvi após o primeiro curso superior (Administração), cursar Letras. Essa língua me representa em todos meus conflitos, pois suas características são iguais as minhas, um ser multifacetado, de exterior sóbrio e estático, mas no íntimo um turbilhão em movimento. Assim como um rio congelado que apresenta a sua superfície estática, mas o seu interior está sempre em movimento, num curso perene. Capacidade de adaptação e compreensão com singularidade e regionalidades tolerantes como próprios à língua. Escrever é para mim, como respirar, sinto essa necessidade e é através da escrita como afirmou Aristóteles que transitamos desde o terror até a piedade de nós mesmos e do outro. Esse ofício da escrita nos eleva, nos projeta, nos ressignifica quando tocamos o outro com as nossas palavras, seja no universo ficcional, biográfico ou autobiográfico. Escrever é uma necessidade, escrever é transpirar no papel as nossas leituras.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

SARCÓFOGO




Meu sorriso me envelhece, olho mil imagens nenhuma com antes. O anterior parece não mais existir. Quem é aquele homem da imagem? Feições juvenis, alma aprisionada pelo pudor alheio.
Nunca aparentei a idade. O físico negava o Cronos, apesar de o psicológico estar sempre bem avançado, (sempre fora um homem a frente do seu tempo). Não aceitava a prisão, arrumara uma forma de projetar-se para fora dela; a violência.
Era normalmente pacato, não promovia a violência, mas também não buscava erradica-la, apresentava-a aos que lhe insultavam, e nisso ele era terrível.
Na juventude harmonizara-se com o equilíbrio. Controlara seus impulsos.
Mas a cada dia o prisioneiro tentava libertar-se através de sinais transgressores da ordem moral da sociedade hipócrita.
Enfim libertara-se de tudo que o aprisionava: a família, os amigos, a religião, o trabalho. Nada mudou, apenas deixou de usar a máscara exigida pela sociedade, agora era ele mesmo sem farsas.
E era mais bonito assim, ele mesmo, mais jovem, mais disposto, sem ilusões, nem obrigações para com o sistema, tornara-se livre.



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