Quem sou eu

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Salvador, Bahia, Brazil
A língua está em mim, me perpassa, faz parte da minha formação como ser social inserido num grupo. Compõe ainda a minha própria formação acadêmica já que resolvi após o primeiro curso superior (Administração), cursar Letras. Essa língua me representa em todos meus conflitos, pois suas características são iguais as minhas, um ser multifacetado, de exterior sóbrio e estático, mas no íntimo um turbilhão em movimento. Assim como um rio congelado que apresenta a sua superfície estática, mas o seu interior está sempre em movimento, num curso perene. Capacidade de adaptação e compreensão com singularidade e regionalidades tolerantes como próprios à língua. Escrever é para mim, como respirar, sinto essa necessidade e é através da escrita como afirmou Aristóteles que transitamos desde o terror até a piedade de nós mesmos e do outro. Esse ofício da escrita nos eleva, nos projeta, nos ressignifica quando tocamos o outro com as nossas palavras, seja no universo ficcional, biográfico ou autobiográfico. Escrever é uma necessidade, escrever é transpirar no papel as nossas leituras.

terça-feira, 17 de julho de 2012

REFÉM


Um beijo, apenas um beijo, e o fim. Há anos se relacionavam em cumplicidades.
A tolerância harmonizava a união, mas desde então, a inconformação.
Exigia mais de si, e do outro, não aceitava ser relegado ao acaso, a ocasião propícia. Desejava mais, muito mais, mais tempo, mais dedicação, mais reconhecimento. E fora a procura, o que encontrou?
O vazio, a sensação de impotência diante do desinteresse do outro, o desprezo, a revolta.
Roubara-lhe um beijo, sem sabor, sem emoção, impregnado de culpa. A incompatibilidade de sentimentos provoca a fim do relacionamento.

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