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A língua está em mim, me perpassa, faz parte da minha formação como ser social inserido num grupo. Compõe ainda a minha própria formação acadêmica já que resolvi após o primeiro curso superior (Administração), cursar Letras. Essa língua me representa em todos meus conflitos, pois suas características são iguais as minhas, um ser multifacetado, de exterior sóbrio e estático, mas no íntimo um turbilhão em movimento. Assim como um rio congelado que apresenta a sua superfície estática, mas o seu interior está sempre em movimento, num curso perene. Capacidade de adaptação e compreensão com singularidade e regionalidades tolerantes como próprios à língua. Escrever é para mim, como respirar, sinto essa necessidade e é através da escrita como afirmou Aristóteles que transitamos desde o terror até a piedade de nós mesmos e do outro. Esse ofício da escrita nos eleva, nos projeta, nos ressignifica quando tocamos o outro com as nossas palavras, seja no universo ficcional, biográfico ou autobiográfico. Escrever é uma necessidade, escrever é transpirar no papel as nossas leituras.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

MAS AFINAL, COMO ENSINAR A LÍNGUA PORTUGUESA?


Castilho (2001), propõe que conheçamos a língua portuguesa que ensinamos (português brasileiro) e a língua falada no ensino de português (o contexto, a realidade linguística do aluno). De maneira que possamos documentar, descrever e historiar a fim de renovarmos o ensino do português no Brasil.
 Para o autor as nossas metodologias ainda são incipientes, motivo pelo qual nunca atingimos os resultados almejados no ensino do português, por estarmos sempre apoiados em realidades outras, fora do nosso contexto sócio educacional (Países hegemônicos do centro).
O autor afirma ainda que fazemos vista grossa para a realidade do ensino de língua materna, deixando de identificar as línguas: da escola (gramatica normativa/ prescritiva e norma padrão) e a do aluno: a norma popular, o que inviabiliza a aplicação da metodologia ideal para ensino da língua.
Desse modo entendemos que para Castilho (2001), o ensino de língua deve partir da reflexão sobre a língua, e do conhecimento prévio do aluno, a língua falada (conversação), para só então, avançar para o conhecimento socialmente valorizado ( o currículo), utilizando para isso, as teorias linguísticas que melhor favoreçam essa reflexão e transposição didática.
Schleicher (2005) por sua vez, afirma que a melhoria da qualidade e da equidade na educação se dará através de programas de fomento do desenvolvimento educacional.
Como o PISA (Programa de Avaliação de Ensino), que avalia e compara o  modelo de ensino nos países desenvolvidos (centrais) e apresenta dados quantitativos que apontam a melhoria no desenvolvimento do modelo educacional desses países que adotaram esse modelo de avaliação.
 Para Schleicher, não há determinismo, ou relação implícita entre riqueza e desenvolvimento e modelo educacional eficiente, o autor defende que qualquer país poderá obter um modelo educacional eficiente se aplicar a metodologia de análise e melhoria contínua na educação dos indivíduos, essa metodologia é projetada a partir do modelo dinâmico de aprendizagem.
O autor defende ainda os fóruns profissionais ligados à área de educação e sua importância para a socialização do conhecimento escolar a fim de promover um conhecimento compartilhado, trocas de experiências e desenvolvimento profissional.
Desse modo percebemos que o autor busca a emancipação ou empowerment do profissional docente ao afirmar que as políticas e as práticas devem estar na responsabilidade dos professores de maneira que os mesmos sejam preparados para assumirem essas práticas.
Assim, semelhantemente como Castilho aponta para a necessidade de uma reflexão sobre a metodologia do ensino de língua materna no Brasil, Schleicher orienta sobre a importância do desenvolvimento de políticas  que favoreçam a melhoria do ensino e da aprendizagem dos indivíduos no âmbito geral de educação, e isso só se fará através da transposição didática das pesquisas científicas nas áreas da Linguística e da Educação levando em consideração a nossa realidade educacional.

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