Quem sou eu

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Salvador, Bahia, Brazil
A língua está em mim, me perpassa, faz parte da minha formação como ser social inserido num grupo. Compõe ainda a minha própria formação acadêmica já que resolvi após o primeiro curso superior (Administração), cursar Letras. Essa língua me representa em todos meus conflitos, pois suas características são iguais as minhas, um ser multifacetado, de exterior sóbrio e estático, mas no íntimo um turbilhão em movimento. Assim como um rio congelado que apresenta a sua superfície estática, mas o seu interior está sempre em movimento, num curso perene. Capacidade de adaptação e compreensão com singularidade e regionalidades tolerantes como próprios à língua. Escrever é para mim, como respirar, sinto essa necessidade e é através da escrita como afirmou Aristóteles que transitamos desde o terror até a piedade de nós mesmos e do outro. Esse ofício da escrita nos eleva, nos projeta, nos ressignifica quando tocamos o outro com as nossas palavras, seja no universo ficcional, biográfico ou autobiográfico. Escrever é uma necessidade, escrever é transpirar no papel as nossas leituras.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

MISSÃO


Ela pairava ausente a tudo, a dor alheia, seria menor sempre.
Subira com ele na vida, e no altar, fugia da decadência, apagara seu passado.
Temia o retrocesso, a casa velha, a aridez da alma, insegurança, incerteza, dor. A fraqueza.
A obscuridade de não adquirir um sobrenome. Não possuía dotes; físicos ou materiais, era composta apenas pelo ventre farto da fome e de fertilidade viril.
Fora selecionada com propósito único da procriação. O coronel exigia filhos antes fortes que belos. À esposa incumbira essa missão, sua recompensa seria a abstinência da fome e da solidão.

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