Quem sou eu

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Salvador, Bahia, Brazil
A língua está em mim, me perpassa, faz parte da minha formação como ser social inserido num grupo. Compõe ainda a minha própria formação acadêmica já que resolvi após o primeiro curso superior (Administração), cursar Letras. Essa língua me representa em todos meus conflitos, pois suas características são iguais as minhas, um ser multifacetado, de exterior sóbrio e estático, mas no íntimo um turbilhão em movimento. Assim como um rio congelado que apresenta a sua superfície estática, mas o seu interior está sempre em movimento, num curso perene. Capacidade de adaptação e compreensão com singularidade e regionalidades tolerantes como próprios à língua. Escrever é para mim, como respirar, sinto essa necessidade e é através da escrita como afirmou Aristóteles que transitamos desde o terror até a piedade de nós mesmos e do outro. Esse ofício da escrita nos eleva, nos projeta, nos ressignifica quando tocamos o outro com as nossas palavras, seja no universo ficcional, biográfico ou autobiográfico. Escrever é uma necessidade, escrever é transpirar no papel as nossas leituras.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A CENA CONTEMPORÂNEA


O trabalho, a faculdade, as tarefas diárias, tudo lhe ocupava, mas nada lhe preenchia.
Quanto mais atarefado, menos importância dava às suas demandas interiores.
Anestesiado do seu próprio vazio passeava a existência num frenético exercício de deveres que interpretava o indizível do verbo.
Sua identidade era uma mescla de mosaicos, absorvera muitas almas, muitas vontades, muitas histórias.
Não possuía pretenções. Sobrevivia com um emplastro na alma, um placebo mantinha a sua essência.

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