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A língua está em mim, me perpassa, faz parte da minha formação como ser social inserido num grupo. Compõe ainda a minha própria formação acadêmica já que resolvi após o primeiro curso superior (Administração), cursar Letras. Essa língua me representa em todos meus conflitos, pois suas características são iguais as minhas, um ser multifacetado, de exterior sóbrio e estático, mas no íntimo um turbilhão em movimento. Assim como um rio congelado que apresenta a sua superfície estática, mas o seu interior está sempre em movimento, num curso perene. Capacidade de adaptação e compreensão com singularidade e regionalidades tolerantes como próprios à língua. Escrever é para mim, como respirar, sinto essa necessidade e é através da escrita como afirmou Aristóteles que transitamos desde o terror até a piedade de nós mesmos e do outro. Esse ofício da escrita nos eleva, nos projeta, nos ressignifica quando tocamos o outro com as nossas palavras, seja no universo ficcional, biográfico ou autobiográfico. Escrever é uma necessidade, escrever é transpirar no papel as nossas leituras.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

AS BASES BIOLÓGICAS DA LINGUAGEM



De acordo com pesquisadores como Pinker (1994), Lenneberg (1996), Slobin (1980), Brandão (2004), podemos perceber que a linguagem e as formas superiores do desenvolvimento cerebral dependem da exposição à linguagem e à interação através da comunicação (imputs). Se as crianças não são expostas, desde cedo, a um meio linguístico adequado, pode haver atraso ou até mesmo interrupção da maturação cerebral, com uma contínua predominância dos processos do hemisfério direito.
 O processo de aquisição da linguagem pode ser, portanto afetado caso haja comprometimentos de ordem central (lesões cerebrais) ou periférica (defeitos nos aparatos fonoarticulatório e auditivo), mas também devido à privação de contato linguístico no período considerado crítico para a instalação e o desenvolvimento da linguagem.
No primeiro momento a criança expressa estado de necessidade produz ruídos e quando inicia a produção de fonemas da língua, essa criança utiliza a gramática passiva, embora não se dê conta disso.
Ao fim do 1º ano de vida da criança, se dá a fase do balbucio; é a fase holofrástica, nessa fase, a criança percebe a existência do outro – através da relação dialógica. A criança começa a construir significados a partir das relações de estímulo- resposta- reforço (Sócio Construtivismo).
É necessário observar que antes da criança começar a falar ela já está desenvolvendo ações relativas à fala (mecanismo perceptivo). Assim num primeiro momento, a criança compreende  e só depois ela produz, (a produção se dá com a gramática ativa).
Slobin (1980), em suas pesquisas confirma essas afirmações, sobre a compreensão preceder a produção. A criança é capaz de encontrar o objeto solicitado pelo interlocutor – compreensão imatura de percepção de palavra (compreensão prematura), existente na memória da criança.
A intenção da comunicação só será revelada através do conhecimento do contexto de interação, daí a percepção (função) semântica da comunicação.
A questão sociointeracionista está ali demonstrada no contexto do evento de fala.
Desse modo, Slobin (1980), conclui que apesar de não possuir o mecanismo da linguagem totalmente desenvolvido, a criança consegue manipular o adulto para atender suas necessidades “o querer impertinente da criança em relação a algo.”
Logo a gramática ativa começa a desenvolver-se a partir da fase de duas palavras, (antes dos dois anos de idade), no período anterior a essa fase, a criança está na fase passiva da gramática.

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