Quem sou eu

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Salvador, Bahia, Brazil
A língua está em mim, me perpassa, faz parte da minha formação como ser social inserido num grupo. Compõe ainda a minha própria formação acadêmica já que resolvi após o primeiro curso superior (Administração), cursar Letras. Essa língua me representa em todos meus conflitos, pois suas características são iguais as minhas, um ser multifacetado, de exterior sóbrio e estático, mas no íntimo um turbilhão em movimento. Assim como um rio congelado que apresenta a sua superfície estática, mas o seu interior está sempre em movimento, num curso perene. Capacidade de adaptação e compreensão com singularidade e regionalidades tolerantes como próprios à língua. Escrever é para mim, como respirar, sinto essa necessidade e é através da escrita como afirmou Aristóteles que transitamos desde o terror até a piedade de nós mesmos e do outro. Esse ofício da escrita nos eleva, nos projeta, nos ressignifica quando tocamos o outro com as nossas palavras, seja no universo ficcional, biográfico ou autobiográfico. Escrever é uma necessidade, escrever é transpirar no papel as nossas leituras.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O LEGADO


Alimentado de fantasias, Vivera uma realidade alternativa. Não realizara nada, nem mesmo a si.
Sobrevivera à família, infância difícil, adolescência conturbada, juventude transviada.
Na vida adulta demorara perceber a dinâmica do sentido. Começara a trabalhar aos vinte e cinco anos, serviços gerais em uma cerealista, tornara-se arrimo de família, a própria que sempre o odiara, agora teria que sustentá-la.
Fazia-o com sofreguidão, carregava um fardo que não era seu. Não tivera filhos não transmitira a ninguém o legado da sua miséria.

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