Quem sou eu

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Salvador, Bahia, Brazil
A língua está em mim, me perpassa, faz parte da minha formação como ser social inserido num grupo. Compõe ainda a minha própria formação acadêmica já que resolvi após o primeiro curso superior (Administração), cursar Letras. Essa língua me representa em todos meus conflitos, pois suas características são iguais as minhas, um ser multifacetado, de exterior sóbrio e estático, mas no íntimo um turbilhão em movimento. Assim como um rio congelado que apresenta a sua superfície estática, mas o seu interior está sempre em movimento, num curso perene. Capacidade de adaptação e compreensão com singularidade e regionalidades tolerantes como próprios à língua. Escrever é para mim, como respirar, sinto essa necessidade e é através da escrita como afirmou Aristóteles que transitamos desde o terror até a piedade de nós mesmos e do outro. Esse ofício da escrita nos eleva, nos projeta, nos ressignifica quando tocamos o outro com as nossas palavras, seja no universo ficcional, biográfico ou autobiográfico. Escrever é uma necessidade, escrever é transpirar no papel as nossas leituras.

sábado, 12 de outubro de 2013

CLAUSURA







                     Houve um tempo em que me perdia. Perdia-me ao perder muito tempo, negando o  real,
 abraçando o desleal, fugindo da existência, imaginando transparências.
                      Vivia sufocado, enclausurado. Anestesiara o desejo, o medo, a razão. Mentia a realidade, vestia a impossibilidade. não aventava a satisfação, a plenitude da realização.
                      Comungar com o mesmo gênero, ser abjeto, obsceno. Suportar o descaso, o desprezo, preconceito. Caminhar contrário ao sentido direito, ser condicionado, epígono imperfeito.
                   
                 

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