Quem sou eu

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Salvador, Bahia, Brazil
A língua está em mim, me perpassa, faz parte da minha formação como ser social inserido num grupo. Compõe ainda a minha própria formação acadêmica já que resolvi após o primeiro curso superior (Administração), cursar Letras. Essa língua me representa em todos meus conflitos, pois suas características são iguais as minhas, um ser multifacetado, de exterior sóbrio e estático, mas no íntimo um turbilhão em movimento. Assim como um rio congelado que apresenta a sua superfície estática, mas o seu interior está sempre em movimento, num curso perene. Capacidade de adaptação e compreensão com singularidade e regionalidades tolerantes como próprios à língua. Escrever é para mim, como respirar, sinto essa necessidade e é através da escrita como afirmou Aristóteles que transitamos desde o terror até a piedade de nós mesmos e do outro. Esse ofício da escrita nos eleva, nos projeta, nos ressignifica quando tocamos o outro com as nossas palavras, seja no universo ficcional, biográfico ou autobiográfico. Escrever é uma necessidade, escrever é transpirar no papel as nossas leituras.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

REMINISCÊNCIAS


Sou um  velho em corpo de jovem, aprendo com erros alheios, habito as emoções inóspitas, vivo em permanente cinza. Observo, apreendo, concluo.
Não confio em sentimentos, a desilusão é meu alento. Procuro imbróglios satisfatórios, sou casado com o trabalho, a fadiga me alimenta, o dia sabático me entristece.
Anseio tocar o interior alheio. Caminho alheio à ordem, não obedeço a padrões e tendências, inauguro reminiscências.  
Sou jovem revestido de senilidade, sou excêntrico, sou saudade.

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