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A língua está em mim, me perpassa, faz parte da minha formação como ser social inserido num grupo. Compõe ainda a minha própria formação acadêmica já que resolvi após o primeiro curso superior (Administração), cursar Letras. Essa língua me representa em todos meus conflitos, pois suas características são iguais as minhas, um ser multifacetado, de exterior sóbrio e estático, mas no íntimo um turbilhão em movimento. Assim como um rio congelado que apresenta a sua superfície estática, mas o seu interior está sempre em movimento, num curso perene. Capacidade de adaptação e compreensão com singularidade e regionalidades tolerantes como próprios à língua. Escrever é para mim, como respirar, sinto essa necessidade e é através da escrita como afirmou Aristóteles que transitamos desde o terror até a piedade de nós mesmos e do outro. Esse ofício da escrita nos eleva, nos projeta, nos ressignifica quando tocamos o outro com as nossas palavras, seja no universo ficcional, biográfico ou autobiográfico. Escrever é uma necessidade, escrever é transpirar no papel as nossas leituras.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

A PEDAGOGIA DO IMPLÍCITO



Bourdieu (2001), se apropria do conceito de habitus – encarnação dos costumes dos indivíduos, para demonstrar um esboço de uma teoria da prática.
Para Bourdieu o habitus seria um sistema de disposições duráveis e consumíveis que gera percepções, apreciações e ações. Seria as disposições como o indivíduo interioriza a exterioridade e exterioriza a interioridade, o exterior é aprendido através da ideia postulada nas estruturas sociais. Assim o habitus funciona como princípio gerador das respostas que damos à realidade social.
O conceito de violência simbólica foi criado por Bourdieu para descrever o processo pelo qual a classe que domina economicamente impõe sua cultura aos dominados.
Bourdieu concebe a cultura privilegiada no ensino escolar como sistema simbólico arbitrário. Sinteticamente, é possível dizer que as reflexões de Bourdieu sobre a escola partem da constatação de uma correlação entre as desigualdades sociais e escolares. As posições mais elevadas e prestigiadas dentro do sistema de ensino tendem a ser ocupados pelos indivíduos pertencentes aos grupos socialmente dominantes.
Para o autor essa correlação nem é, obviamente, causal, nem se explica, exclusivamente, por diferenças objetivas (sobretudo econômicas) de oportunidade de acesso à escola. Segundo ele, por mais que se democratize o acesso ao ensino por meio da escola pública, continuará existindo uma forte correlação entre as desigualdades sociais, sobretudo culturais, e as desigualdades ou hierarquias internas do sistema de ensino.
Essa correlação só pode ser explicada, na perspectiva de Bourdieu, quando se considera que a escola dissimuladamente valoriza e exige dos alunos determinadas qualidades que são desigualmente distribuídas entre as classes sociais, notadamente, o capital cultural  e uma certa naturalidade no trato com a cultura e o saber que apenas aqueles que foram desde a infância socializados na cultura legítima podem ter.
Em resumo, a grande contribuição de Bourdieu para a compreensão sociológica da escola foi de ter ressaltado que essa instituição não é neutra.
Formalmente a escola trataria a  todos de modo igual, portanto, supostamente, todos teriam as mesmas chances. Bourdieu mostra que na verdade, as chances são desiguais.
Alguns estariam numa condição mais favorável do que outros para atenderem às exigências, muitas vezes, implícitas da escola. Ao sublinhar que a cultura escolar é cultura dominante dissimulada, Bourdieu abre caminho, para uma análise mais crítica do currículo, dos métodos pedagógicos e da avaliação escolar. Os conteúdos curriculares seriam selecionados em função dos conhecimentos, dos valores, e dos  interesses das classes dominantes.
Desse modo, a transmissão dos conhecimentos seguiria o que Bourdieu chama de pedagogia do implícito, o pleno aproveitamento da mensagem pedagógica suporia, implicitamente, a posse de um capital cultural anterior que apenas os alunos provenientes das classes dominantes apresentam.

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