Quem sou eu

Minha foto
Salvador, Bahia, Brazil
A língua está em mim, me perpassa, faz parte da minha formação como ser social inserido num grupo. Compõe ainda a minha própria formação acadêmica já que resolvi após o primeiro curso superior (Administração), cursar Letras. Essa língua me representa em todos meus conflitos, pois suas características são iguais as minhas, um ser multifacetado, de exterior sóbrio e estático, mas no íntimo um turbilhão em movimento. Assim como um rio congelado que apresenta a sua superfície estática, mas o seu interior está sempre em movimento, num curso perene. Capacidade de adaptação e compreensão com singularidade e regionalidades tolerantes como próprios à língua. Escrever é para mim, como respirar, sinto essa necessidade e é através da escrita como afirmou Aristóteles que transitamos desde o terror até a piedade de nós mesmos e do outro. Esse ofício da escrita nos eleva, nos projeta, nos ressignifica quando tocamos o outro com as nossas palavras, seja no universo ficcional, biográfico ou autobiográfico. Escrever é uma necessidade, escrever é transpirar no papel as nossas leituras.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

INÉRCIA




Nasceu de parto normal, no tempo certo nove meses, dizem que não era esperado pelos pais, nem fora planejado. Talvez por isso, sua formação psicológica-emocional possuía essas singularidades.
Nunca pôde brincar, passear, ficar de bobeira. Sua vida sempre fora tensa. Essa tensão se deve a grande apreensão que vivera durante todos os dias. Essa tensão era por causa da carência de recursos financeiros, viviam na mais extrema penúria. A casa de três vãos: sala vazia com uma tv antiga que funcionava sazonalmente, um quarto com beliches velhos e a cozinha com uma mesa antiga e um fogão apenas. O banheiro era rudimentar: um vaso sanitário e um tubo por onde saía à água para o banho.
Amadurecera cedo demais, isso porque a mãe o expunha aos problemas financeiros da família e a sua companheira indivorciável: a fome. Não possuía emoções afloradas, nunca se emocionava grandemente, nem de forma pequena.
A família sempre o culpava por isso, ele achava uma injustiça, já que não se pode controlar os sentimentos também acreditava que expôs os sentimentos, era doloroso demais e sinal de fraqueza.
Nem quando sua irmã morreu se emocionou. Apenas afirmou, quando fora censurado pela mãe; infelizmente, não tenho tempo para choros, tenho que trabalhar estudar, e conquistar um futuro melhor. Dizia isso por que acreditava que lamentos era perda de tempo e energia, e a vida era bem mais que isso, a vida para ele seria trabalho, conhecimento e movimento. A inércia de um velório o assustava.

Nenhum comentário:

Postar um comentário