Quem sou eu

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Salvador, Bahia, Brazil
A língua está em mim, me perpassa, faz parte da minha formação como ser social inserido num grupo. Compõe ainda a minha própria formação acadêmica já que resolvi após o primeiro curso superior (Administração), cursar Letras. Essa língua me representa em todos meus conflitos, pois suas características são iguais as minhas, um ser multifacetado, de exterior sóbrio e estático, mas no íntimo um turbilhão em movimento. Assim como um rio congelado que apresenta a sua superfície estática, mas o seu interior está sempre em movimento, num curso perene. Capacidade de adaptação e compreensão com singularidade e regionalidades tolerantes como próprios à língua. Escrever é para mim, como respirar, sinto essa necessidade e é através da escrita como afirmou Aristóteles que transitamos desde o terror até a piedade de nós mesmos e do outro. Esse ofício da escrita nos eleva, nos projeta, nos ressignifica quando tocamos o outro com as nossas palavras, seja no universo ficcional, biográfico ou autobiográfico. Escrever é uma necessidade, escrever é transpirar no papel as nossas leituras.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O REAL


Enquanto trabalhava, vivia, enquanto acordava cedo, resistia, enquanto fome sentia, sobrevivia. Passava o dia ao sol, de pé, às vezes imóvel como uma estátua, não a de Rodin, pois nesse ofício o desgaste era mais físico que mental. As dores sempre presentes lembravam-na que estava viva, era a única certeza da sua vitalidade, as dores, pois morto não as possui. Anelava pelo findar do dia para reencontrar seu único consolo, a cama onde podia recolher-se aos seus sonhos, lugar em que era feliz, na ausência das dores, num estado de êxtase. Ao acordar, constatava a dura realidade que vivia.

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