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A língua está em mim, me perpassa, faz parte da minha formação como ser social inserido num grupo. Compõe ainda a minha própria formação acadêmica já que resolvi após o primeiro curso superior (Administração), cursar Letras. Essa língua me representa em todos meus conflitos, pois suas características são iguais as minhas, um ser multifacetado, de exterior sóbrio e estático, mas no íntimo um turbilhão em movimento. Assim como um rio congelado que apresenta a sua superfície estática, mas o seu interior está sempre em movimento, num curso perene. Capacidade de adaptação e compreensão com singularidade e regionalidades tolerantes como próprios à língua. Escrever é para mim, como respirar, sinto essa necessidade e é através da escrita como afirmou Aristóteles que transitamos desde o terror até a piedade de nós mesmos e do outro. Esse ofício da escrita nos eleva, nos projeta, nos ressignifica quando tocamos o outro com as nossas palavras, seja no universo ficcional, biográfico ou autobiográfico. Escrever é uma necessidade, escrever é transpirar no papel as nossas leituras.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

A CONCEPÇÃO DE LÍNGUA/LINGUAGEM DO PROFESSOR INFLUENCIA NA SUA PRÁTICA DOCENTE?





Oliveira (2007) chama atenção para o posicionamento do professor em relação à sua visão de língua. Segundo o autor cada professor desenvolve suas atividades docentes baseadas na concepção de língua que possui: assim se o decente entender a língua como um sistema de estruturas gramaticais formais, adotará práticas pedagógicas sem saber exatamente o porquê de fazer o que faz na sala de aula.
O autor traz as concepções de Bloomfield e Chomsky sobre competência linguística. Para Chomsky que desenvolveu a dicotomia entre competência e desempenho, competência seria o conhecimento tácito que o falante-ouvinte possui da estrutura da sua língua e desempenho como uso concreto e imperfeito da língua.
Bloomfield semelhantemente compartilha concepções estruturalistas em relação à língua, desenvolveu o método audiolingual de aprendizado do inglês durante a 2ª guerra mundial, também não se aprofundou sobre a competência do falante. a diferença entre os dois reside no fato que a teoria Chomskiana desenvolver sistemas de regras que explicam as possibilidades estruturais da língua não se limitando apenas à discrição linguística.
O autor trata ainda sobre Dell Hymes e a competência comunicativa segundo o qual Hymes se refere não apenas a conhecimento, mas também à habilidade de se usar esse conhecimento.
Hymes define competência comunicativa como capacidade de adequação sociolinguística do discurso, de acordo com os grupos sociais distintos, sem essa capacidade de adequação o falante-ouvinte não seria competente na língua.
A competência sociolinguística diz respeito às regras socioculturais do uso da língua é o conhecimento e a habilidade que o falante ouvinte possui para expressar e entender enunciados de um modo apropriado, de acordo com fatores sociais e culturais do contexto em que se encontra, tais como os propósitos e s normas da interação e  o tipo de relação que o falante-ouvinte possui com o interlocutor.
Uma vez que, não se pode desvincular a língua dos aspectos socioculturais que subjazem ao seu uso, visto que usar uma língua é também ser e agir socialmente através dela notamos, que ao aprender uma língua o falante se apropria não só de forma estrutural, mas também dos implícitos dessa língua.
O modo como esse falante vai desenvolver a competência comunicativa na língua vai depender, dessa forma, também do modo como interpreta os implícitos da linguagem, de como se utiliza da língua para conseguir coisas do uso da pronuncia adequada para ser bem compreendido, da escolha de expressões e palavras apropriadas em diferentes contextos.
Esses usos que citamos são também culturais, ou seja, estão mais além do que o simples domínio da estrutura linguística.
Para durante (1997), qualquer teoria que pretenda separar a linguagem da realidade social que a conforma deve se vista como problemática. Durante mostra-nos que longe de considerar a linguagem (língua) como um conjunto de estruturas formais e de regras através das quais nos comunicamos, a língua é, ela mesma, a instancia na qual nos tornamos humanos e nos inserimos no mundo que nos cerca.
Logo percebemos que, uma das contribuições mais significativas para área da L.A em especial no ensino de PLE, tem sido a de identificar que tipo de conhecimento um aprendiz de língua deve ter para que possa comunicar-se adequadamente em diferentes contextos de uso da linguagem, inclusive dominando os diferentes tipos de interdições e sanções que podem gerar “curtos-circuitos” na comunicação.
Krashen (1998) define essa simbiose entre língua e cultura em 3 vias: língua expressa uma realidade cultural /língua incorpora  uma realidade social (cria experiência) /língua simboliza uma realidade cultural (símbolos com valor cultural).
Desse modo, Krashen destaca como os significados que produzimos e partilhamos através da língua são codificados pela cultura.
O significado como signo que representa o valor semântico da língua, e significado como ação que é o valor pragmático da língua. Esse sistema simbólico criado pela linguagem perpassa todas as instancias que caracterizam o uso da linguagem enquanto atividade humana: o modo como falamos, como escrevemos, construímos identidade individual e social e como nos confrontamos com o “outro” e com a diferença.
Krashen defende que os adultos possuem talento para aprender uma LE, o autor afirma ainda que a lateralização cerebral se define antes da puberdade. A quantidade de inputs que o individuo recebe facilitaria essa aprendizagem.
Logo, para Krashen, os adultos possuem maiores condições de aprendizagem de L2/LE por já possuírem a língua vernácula desenvolvida ou internalizada. (L1)
Busnardo (1987) aponta a importância dos estudos de Hymes sobre competência comunicativa que ajudou a desenvolver o sujeito do discurso ao ensino de línguas.
A autora afirma que antes de alcançarmos a dialogia crítica e para chegar ao contra discurso, precisamos chegar primeiro ao discurso, como já afirmava Pennycook (2001). Chegar ao discurso em si implica desenvolver um trabalho que aborde o linguístico e cultural pragmático em sala de aula. Para esse trabalho fundamental, o modelo de competência comunicativa de Celce-Murcia e Olshtain (2002) se mostra instrutivo: mostra como os elementos linguísticos e os elementos pragmáticos (sensíveis a aspectos culturais) interrogam para produzir o discurso.
Busnardo afirma que uma das estratégias pedagógicas mais úteis na criação do método dialógico crítico, é o uso da comparação e contraste de discursos.
Desse modo, para busnardo, o método de comparação e contraste de discursos pode nos levar e questionar nossa própria história e a perceber o impacto da socialização.
Santos (2004), objetiva conceitualizar os pontos culturais marcantes entre duas culturas em questão que deverão ser úteis para professores de português como L.E, PL2 e para estudantes se adaptarem ao brasil.
A autora cita Krashen (1996) para evidenciar os fatores de enfoque parcial dada à área de cultura no ensino de língua o primeiro fator é a dificuldade de se entender a abrangência do conceito de cultura em si; segundo, a dificuldade de inserir na ementa esse conceito da forma abrangente que é: terceiro, a dificuldade de preparar professores de forma homogenia nessa área.
Bennett (1996) divide a área cultural em duas partes: instituições (concreto visível) e comportamento – desse modo entendemos que não é só a língua que temos que aprender, mas que também maneiras diferentes de ser, de acordo com os sistemas do país. Bennett acredita que os indivíduos no processo de aculturação possam por diferentes estágios até chegarem a um bom nível de adaptação: 1º navegação, 2º defesa, 3º minimização (em se tratando de etnocentrismo e no caso de etnorelativismo), 4º aceitação, 5º adaptação e 6º integração.
A autora cita ainda a importância da etnografia, segundo Robinson (1985), que nos fornece parâmetros que devemos considerar para Robinson a etnografia é um método de descrever uma cultura ou situação dentro de uma cultura do ponto de vista do nativo/ator cultural.
A autora termina, demonstrando a importância da inserção de orientações culturais no aprendizado da língua (PLE/PL2), devido às dificuldades de aculturação para a maioria dos norte-americanos no Brasil.

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