Devido o número de falantes de português
figurar em torno de 210 milhões, há uma aspiração por parte dos países lusófonos,
de que o português seja reconhecido como uma grande língua de cultura e como
a expressão de um conjunto de países que tem características comuns.
Uma das formas de reconhecimento
que tem sido buscada através de iniciativas de governos é a adoção do português
como uma das línguas oficiais da organização das Nações Unidas (ONU). Porém tais
iniciativas não têm resultados significativos- porque a concorrência de línguas
como o inglês, o francês e mesmo o espanhol continua forte.
Vale ressaltar que a difusão do português
no mundo não foi uniforme, ora os portugueses tentaram colonizar áreas amplas
(Brasil, Angola, Moçambique); ora contentaram-se com o domínio militar de
posições estratégicas importantes, como Diu e Goa, ora estabeleceram
entrepostos comerciais como em Macau.
Em consequência disso temos
situações de bilinguismo, multilinguíssimo e crioulização, além da
transformação do português numa língua de emigrantes. O bilinguismo e o multilinguíssimo
consiste em várias situações em que o português passou a conviver com uma ou
mais línguas diferentes, como por exemplo, na costa da África, Índia e
Continente Sul-Americano.
Quanto ao processo de crioulização,
consiste nos falares que nasceu dos contatos entre línguas européias com línguas
nativas de regiões colonizadas.
O primeiro meio de comunicação
usado no contato entre colonizadores e colonizados é geralmente um pidgin, que
consiste num mecanismo de comunicação bastante precário, no qual se faz um uso
rudimentar do vocabulário das duas línguas em contato e a gramatica é quase
nula. Os pidgins funcionam em contextos muito específicos, por exemplo, a troca
de mercadorias nos mercados das cidades colonizadas.
Ao passar pelo processo espontâneo de
construção de uma gramática, o pidgin dá origem a um crioulo (crioulização).
Ao fenômeno da crioulização
costuma-se opor o da descrioulização que consiste no fato de que a gramática do
crioulo passa ser remodelada por influência de uma das duas línguas que
participaram de sua formação, a exemplo do caribe em que os crioulos de base
espanhola sofreram em seguida uma forte influência do espanhol europeu.
Sobre o português como língua de
emigrantes podemos observar que imigrante que fala a língua do país tende a
fazê-lo da maneira diferente dos nativos, e tende a incorporar em sua língua
materna elementos da língua circunstante, caracterizada como traição à cultura
de origem.
Em geral, proteger a cultura e a
língua do imigrante não é objetivo prioritário dos países hospedeiros, mas no
caso do português tem havido exceções, em certo momento, o português foi uma das línguas estrangeiras mais estudadas na França,
Canadá e Estados Unidos.


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