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A língua está em mim, me perpassa, faz parte da minha formação como ser social inserido num grupo. Compõe ainda a minha própria formação acadêmica já que resolvi após o primeiro curso superior (Administração), cursar Letras. Essa língua me representa em todos meus conflitos, pois suas características são iguais as minhas, um ser multifacetado, de exterior sóbrio e estático, mas no íntimo um turbilhão em movimento. Assim como um rio congelado que apresenta a sua superfície estática, mas o seu interior está sempre em movimento, num curso perene. Capacidade de adaptação e compreensão com singularidade e regionalidades tolerantes como próprios à língua. Escrever é para mim, como respirar, sinto essa necessidade e é através da escrita como afirmou Aristóteles que transitamos desde o terror até a piedade de nós mesmos e do outro. Esse ofício da escrita nos eleva, nos projeta, nos ressignifica quando tocamos o outro com as nossas palavras, seja no universo ficcional, biográfico ou autobiográfico. Escrever é uma necessidade, escrever é transpirar no papel as nossas leituras.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A FUNÇÃO SOCIAL DA TV



França (2006) identifica três grandes tendências dentro do panorama geral dos estudos televisivos; a primeira televisão e sociedade, buscando delinear seu papel, funções e efeitos.
Sobre essa tendência Bourdieu (1997) afirma que a televisão ameaça as esferas culturais, artísticas, cientificas e inclusive a vida política e a democracia.
Através do jogo da visibilidade e da invisibilidade, do esconder mostrando, do jogo remissivo, e do fast Thinking, a televisão exerce o poder simbólico: a dominação pela imagem.
Para Sartori (2001) o “homo videns” substitui o “homo sapiens”, pois a televisão estaria mudando a natureza humana, levando a um predomínio do visível sobre o inteligível que conduz para um ver sem entender (alienação).
Outros, no entanto, como Wolton (1996), enfatizam o potencial democratizador da TV aberta. A segunda tendência dos estudos televisivos analisam o meio e sua linguagem estética, recursos estéticos, indaga-se sobre a natureza do seu produto – o que é a imagem televisiva e que representação ela constrói.
Segundo Eco (1984) a grande característica da televisão foi abolir as fronteiras da ficção e realidade. Para Jost, a linguagem televisiva se constrói em torno de três grandes gêneros televisivos: o real, a ficção e o lúdico.
A terceira e última tendência dos estudos televisivos, diz respeito a análises circunscritas a programas específicos, são estudos pontuais que buscam caracterizar dinâmicas particulares que conformam múltiplas TVs, evitando generalizações excessivas.
Podemos perceber em vários enfoques que a televisão (com exceção de Wolton) é ressaltada como lugar de alienação e empobrecimento cultural, criação de valores e mitos contemporâneos, instrumento de poder e reprodução da estrutura de dominação etc.
Nesse sentido, podemos refletir sobre qual seria a função (utilidade) da televisão. Segundo uma visão marxista, a televisão cumpre uma função ideológica, mantendo a alienação e assegurando o processo de dominação. Contudo é preciso questionar as visões monolíticas, e reagir a sua visão puramente instrumental da Tv. Sua inserção na vida social é polivalente: a televisão é um veiculo de informação e socialização.
Desse modo, na pós-modernidade percebemos uma tendência mais recente nas pesquisas sobre televisão que enfatiza o estudo dos gêneros como forma de entrada não apenas  para alcançar os diferentes recursos televisivos, mas sobretudo para tratar da audiência, ou das relações com a recepção.
Bakhtin (1997) tratou o gênero textual como um padrão relativamente estável de estruturação de um todo ou formas típicas de dirigir-se a alguém. Barbero (1997), aponta os gêneros textuais como estratégia de comunicabilidade, lugar privilegiado de mediação, espaço de negociação entre objetivos do produtor e expectativas do receptor como ocorre na televisão.

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