França (2006) identifica três grandes
tendências dentro do panorama geral dos estudos televisivos; a primeira
televisão e sociedade, buscando delinear seu papel, funções e efeitos.
Sobre essa tendência Bourdieu
(1997) afirma que a televisão ameaça as esferas culturais, artísticas, cientificas
e inclusive a vida política e a democracia.
Através do jogo da visibilidade e
da invisibilidade, do esconder mostrando, do jogo remissivo, e do fast
Thinking, a televisão exerce o poder simbólico: a dominação pela imagem.
Para Sartori (2001) o “homo videns”
substitui o “homo sapiens”, pois a televisão estaria mudando a natureza humana,
levando a um predomínio do visível sobre o inteligível que conduz para um ver
sem entender (alienação).
Outros, no entanto, como Wolton
(1996), enfatizam o potencial democratizador da TV aberta. A segunda tendência dos
estudos televisivos analisam o meio e sua linguagem estética, recursos
estéticos, indaga-se sobre a natureza do seu produto – o que é a imagem
televisiva e que representação ela constrói.
Segundo Eco (1984) a grande característica
da televisão foi abolir as fronteiras da ficção e realidade. Para Jost, a
linguagem televisiva se constrói em torno de três grandes gêneros televisivos:
o real, a ficção e o lúdico.
A terceira e última tendência dos
estudos televisivos, diz respeito a análises circunscritas a programas
específicos, são estudos pontuais que buscam caracterizar dinâmicas particulares
que conformam múltiplas TVs, evitando generalizações excessivas.
Podemos perceber em vários enfoques
que a televisão (com exceção de Wolton) é ressaltada como lugar de alienação e
empobrecimento cultural, criação de valores e mitos contemporâneos, instrumento
de poder e reprodução da estrutura de dominação etc.
Nesse sentido, podemos refletir
sobre qual seria a função (utilidade) da televisão. Segundo uma visão marxista,
a televisão cumpre uma função ideológica, mantendo a alienação e assegurando o
processo de dominação. Contudo é preciso questionar as visões monolíticas, e
reagir a sua visão puramente instrumental da Tv. Sua inserção na vida social é
polivalente: a televisão é um veiculo de informação e socialização.
Desse modo, na pós-modernidade
percebemos uma tendência mais recente nas pesquisas sobre televisão que
enfatiza o estudo dos gêneros como forma de entrada não apenas para alcançar os
diferentes recursos televisivos, mas sobretudo para tratar da audiência, ou das
relações com a recepção.
Bakhtin (1997) tratou o gênero textual como um padrão
relativamente estável de estruturação de um todo ou formas típicas de dirigir-se a alguém. Barbero (1997), aponta os gêneros textuais como estratégia de comunicabilidade, lugar privilegiado de mediação, espaço de negociação entre objetivos do produtor e expectativas do receptor como ocorre na televisão.


Muito bacana!
ResponderExcluirGrazie!
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