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A língua está em mim, me perpassa, faz parte da minha formação como ser social inserido num grupo. Compõe ainda a minha própria formação acadêmica já que resolvi após o primeiro curso superior (Administração), cursar Letras. Essa língua me representa em todos meus conflitos, pois suas características são iguais as minhas, um ser multifacetado, de exterior sóbrio e estático, mas no íntimo um turbilhão em movimento. Assim como um rio congelado que apresenta a sua superfície estática, mas o seu interior está sempre em movimento, num curso perene. Capacidade de adaptação e compreensão com singularidade e regionalidades tolerantes como próprios à língua. Escrever é para mim, como respirar, sinto essa necessidade e é através da escrita como afirmou Aristóteles que transitamos desde o terror até a piedade de nós mesmos e do outro. Esse ofício da escrita nos eleva, nos projeta, nos ressignifica quando tocamos o outro com as nossas palavras, seja no universo ficcional, biográfico ou autobiográfico. Escrever é uma necessidade, escrever é transpirar no papel as nossas leituras.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A IDEALIZAÇÃO DO NOVO MUNDO



A descrição de Caminha era de cunho informacional, apesar de conter uma idealização exacerbada na descrição da paisagem, do elemento indígena, das potencialidades de retorno que a “nova Terra” poderia oferecer a longo prazo à Coroa Portuguesa.
Caminha na sua carta não se preocupa com estéticas literárias, já que como ele próprio afirma, se tratava de um documento informativo como tantos outros que foram escritos na tentativa de inteirar o Governo Português sobre as novas conquistas.
Souza (1995) propõe uma leitura imparcial, sem ressentimentos, através da qual busca entender como foi a primeira impressão causada pelo encontro entre o homem europeu civilizado, cristão e mercador e os seres humanos radicalmente distintos de si.
A autora afirma ainda que tal contato gerou uma violência cultural mais devastadora do que a violência da exploração econômica durante a tentativa de escravizar os indígenas.
Desse modo, a autora identifica nas ações dos Portugueses, a impossibilidade de conhecer e respeitar a diferença racial, de tolerar o outro, de admitir, como não contrária a si, a existência dos indígenas, povos originários, habitantes da terra e de sua particularidade cultural.
Contudo, na releitura feita da carta de Caminha após a idade média, certas atitudes dos colonizadores são encobertas, omitidas, ou reinterpretadas. Podemos citar como exemplo, a concepção do índígena como indivíduo preguiçoso devido à sua resistência frente ao processo colonizador/escravagista. Omissão do massacre indígena no confronto com os portugueses através da “versão” da cordialidade dos nativos para com o colonizador, mito que perdura até hoje, de que o brasileiro é cordial.
Guicci (1992) por sua vez, analisa a carta de Caminha sob dois aspectos: num contexto imperial e em outro momento, num contexto nacional. No primeiro momento, a carta é lida como documento histórico de cunho informativo.
No contexto nacional, no entanto, é elencada como documento de valor literário, marco para início do desenvolvimento de uma literatura nacional a fim de emancipar o Brasil literariamente de Portugal. Surge a partir daí o desenvolvimento de uma identidade nacional, baseada nos mitos criados a partir das inúmeras releituras da carta de Caminha, dos romances nacionalistas, ufanistas, nativistas.
Tal nacionalismo tinha base nos valores europeus, no idealismo do homem branco, já que o índígena não era pensado como um ser cultural.

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