Anderson (1993), afirma que a
identidade nacional é uma “comunidade imaginada”. Como é imaginada a nação moderna? Há a
narrativa da nação, tal como é contada e recontada nas histórias e nas
literaturas nacionais, na mídia e na cultura popular.
Há ênfase nas origens, na
continuidade, na tradição e na intemporalidade. A identidade nacional é representada
como primordial – “esta lá, na verdadeira natureza das coisas.”
Hobsbawm e Ranger (1997) ao tratar
sobre a invenção da tradição, afirmam que tradições que perecem ou alegam ser
antigas são muitas vezes de origem bastante recente ou mesmo inventadas. Tradição
inventada significa um conjunto de práticas de natureza ritual ou simbólica,
que buscam inculcar certos valores e normas de comportamento através da
repetição, a qual, automaticamente, implica continuidade com um passado
histórico adequado.
Podemos exemplificar a invenção da
tradição com o mito fundacional que consiste numa estória que localiza a origem
da nação, do povo, e do seu caráter nacional num passado tão distante que eles
se perdem no tempo (mítico) irreal, a exemplo da cidade de Roma com seu mito
fundacional sobre Rômulo e Remo.
É a partir dos mitos fundacionais
que são desenvolvidos as concepções sobre os povos que participam dessa
tradição inventada, como a concepção de raça pura, a identidade nacional é
também muitas vezes simbolicamente baseada na ideia de um povo puro, original. Mais
nas realidades do desenvolvimento nacional é raramente esse povo primordial que
persiste ou que exercita o poder.
Concluímos que o discurso da
cultura nacional não é assim tão moderno como aparenta ser. Ele constrói identidades
que são colocadas, de modo ambíguo entre o passado e o futuro.Ele se equilibra entre a tentação por retornar as glórias
passadas e o impulso por avançar ainda mais em direção à modernidade.
Desse modo, nos leva a pensar as
culturas nacionais como constituindo um dispositivo discursivo que representa a
diferença como unidade ou identidade. Elas são atravessadas por profundas
divisões e diferenças internas, sendo "unificadas" apenas através do exercício de diferentes formas de poder cultural. Entretanto
as identidades nacionais continuam a ser representadas como unificadas, através
da expressão da cultura subjacente de um único povo.


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