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A língua está em mim, me perpassa, faz parte da minha formação como ser social inserido num grupo. Compõe ainda a minha própria formação acadêmica já que resolvi após o primeiro curso superior (Administração), cursar Letras. Essa língua me representa em todos meus conflitos, pois suas características são iguais as minhas, um ser multifacetado, de exterior sóbrio e estático, mas no íntimo um turbilhão em movimento. Assim como um rio congelado que apresenta a sua superfície estática, mas o seu interior está sempre em movimento, num curso perene. Capacidade de adaptação e compreensão com singularidade e regionalidades tolerantes como próprios à língua. Escrever é para mim, como respirar, sinto essa necessidade e é através da escrita como afirmou Aristóteles que transitamos desde o terror até a piedade de nós mesmos e do outro. Esse ofício da escrita nos eleva, nos projeta, nos ressignifica quando tocamos o outro com as nossas palavras, seja no universo ficcional, biográfico ou autobiográfico. Escrever é uma necessidade, escrever é transpirar no papel as nossas leituras.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A INVENÇÃO DA TRADIÇÃO



Anderson (1993), afirma que a identidade nacional é uma “comunidade imaginada”.  Como é imaginada a nação moderna? Há a narrativa da nação, tal como é contada e recontada nas histórias e nas literaturas nacionais, na mídia e na cultura popular.
Há ênfase nas origens, na continuidade, na tradição e na intemporalidade. A identidade nacional é representada como primordial – “esta lá, na verdadeira natureza das coisas.”
Hobsbawm e Ranger (1997) ao tratar sobre a invenção da tradição, afirmam que tradições que perecem ou alegam ser antigas são muitas vezes de origem bastante recente ou mesmo inventadas. Tradição inventada significa um conjunto de práticas de natureza ritual ou simbólica, que buscam inculcar certos valores e normas de comportamento através da repetição, a qual, automaticamente, implica continuidade com um passado histórico adequado.
Podemos exemplificar a invenção da tradição com o mito fundacional que consiste numa estória que localiza a origem da nação, do povo, e do seu caráter nacional num passado tão distante que eles se perdem no tempo (mítico) irreal, a exemplo da cidade de Roma com seu mito fundacional sobre Rômulo e Remo.
É a partir dos mitos fundacionais que são desenvolvidos as concepções sobre os povos que participam dessa tradição inventada, como a concepção de raça pura, a identidade nacional é também muitas vezes simbolicamente baseada na ideia de um povo puro, original. Mais nas realidades do desenvolvimento nacional é raramente esse povo primordial que persiste ou que exercita o poder.
Concluímos que o discurso da cultura nacional não é assim tão moderno como aparenta ser. Ele constrói identidades que são colocadas, de modo ambíguo entre o passado e o futuro.Ele se equilibra entre a tentação por retornar as glórias passadas e o impulso por avançar ainda mais em direção à modernidade.
Desse modo, nos leva a pensar as culturas nacionais como constituindo um dispositivo discursivo que representa a diferença como unidade ou identidade. Elas são atravessadas por profundas divisões e diferenças internas, sendo "unificadas" apenas através  do exercício de diferentes formas de poder cultural. Entretanto as identidades nacionais continuam a ser representadas como unificadas, através da expressão da cultura subjacente de um único povo.


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