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A língua está em mim, me perpassa, faz parte da minha formação como ser social inserido num grupo. Compõe ainda a minha própria formação acadêmica já que resolvi após o primeiro curso superior (Administração), cursar Letras. Essa língua me representa em todos meus conflitos, pois suas características são iguais as minhas, um ser multifacetado, de exterior sóbrio e estático, mas no íntimo um turbilhão em movimento. Assim como um rio congelado que apresenta a sua superfície estática, mas o seu interior está sempre em movimento, num curso perene. Capacidade de adaptação e compreensão com singularidade e regionalidades tolerantes como próprios à língua. Escrever é para mim, como respirar, sinto essa necessidade e é através da escrita como afirmou Aristóteles que transitamos desde o terror até a piedade de nós mesmos e do outro. Esse ofício da escrita nos eleva, nos projeta, nos ressignifica quando tocamos o outro com as nossas palavras, seja no universo ficcional, biográfico ou autobiográfico. Escrever é uma necessidade, escrever é transpirar no papel as nossas leituras.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

LINGUÍSTICA APLICADA E INTERDISPLINARIEDADE


Moita Lopes (2006) trata sobre o surgimento da Linguística, seu trabalho de descrever as línguas, e sobre o Compêndio contendo teorizações acerca o ensino de línguas (Comenius).
O autor afirma que o campo da L.A. tem inicio enfocando a área de ensino (aprendizagem) de línguas, na qual ainda hoje tem grande repercussão. Pesquisadores como Charles Freis e Robert Lodo nos EUA. Com seus estudos científicos do ensino de línguas estrangeiras que abarcavam também questões relativas à tradução, irão contribuir para o desenvolvimento as duas compreensões para a concepção de L.A., sendo as duas entendidas como aplicação de Linguística – descrição de línguas e ensino de línguas, notadamente estrangeiras.
Na Inglaterra por sua vez, a história da Linguística tem inicio em 1957 com a fundação do departamento de Linguística Aplicada de Edimburgo que projetou três dos maiores linguistas aplicados de então: Pit Corder, Widdowson e Davies. É a partir do trabalho de Widdowson, no final dos anos 1970, que surge a distinção entre L.A e aplicação e Linguística. Widdowson critica a exclusão da pedagogia no ensino de línguas.
Outra contribuição signicativa para o desenvolvimento de L.A é a ampliação da área de investigação de L.A que agora passa a abarcar contextos de ensino e aprendizagem de língua materna, no campo dos letramentos e de outras disciplinas do currículo e em outros contextos institucionais (mídia, empresas, delegacia policial, clínica médica), é importante ressaltar as contribuições de estudiosos como Vygotsky e Bakhtin, sobre a relevância de entender a linguagem como instrumento de construção do conhecimento e da vida social- L.A centrada na preocupação com problemas de uso da linguagem situados na práxis humana.
Sobre a L.A indisciplinar o autor afirma que ela é indisciplinar no sentido de que reconhece a necessidade de não se constituir como disciplina, mas como área mestiça, e nômade, ou seja, perpassa outras disciplinas através da intertextualidade – (L.A interdisciplinar- Sociologia, Psicologia, Antropologia e a Pedagogia).
Logo entendemos a L.A como modo de criar inteligibilidade sobre problemas sociais em que a linguagem tem papel central, perdendo assim, o seu caráter solucionista e abandonando a preocupação em se limitar à linguística como um componente teórico essencial.
Moita Lopes afirma que é necessário reteorizar o sujeito social em sua heterogeneidade, fluidez e mutações, atrelando a esse processo os imbricamentos de poder e desigualdades inerentes, é essencial compreender que a racionalidade e os significados não são anteriores aos seus usos em nossas performances nas práticas discursivas, somos os discursos que circulamos e podemos modificá-los em tempo real, logo a racionalidade é composta pela ideologia.
Outra característica importante é que a problematização do conhecimento deve seguir uma lógica antiobjetivista e antipositivista visando assim criar inteligibilidade sobre a produção de conhecimento.
Desse modo a L.A contemporânea indisciplinar, informada por teorizações que têm colocado indagações para as ciências sociais, procura criar inteligibilidade sobre práticas sociais em que a linguagem desempenha uma função central.


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