Moita Lopes (2006)
trata sobre o surgimento da Linguística, seu trabalho de descrever as línguas,
e sobre o Compêndio contendo teorizações acerca o ensino de línguas (Comenius).
O autor afirma que o
campo da L.A. tem inicio enfocando a área de ensino (aprendizagem) de línguas,
na qual ainda hoje tem grande repercussão. Pesquisadores como Charles Freis e
Robert Lodo nos EUA. Com seus estudos científicos do ensino de línguas estrangeiras que abarcavam também questões relativas à
tradução, irão contribuir para o desenvolvimento as duas compreensões para a
concepção de L.A., sendo as duas entendidas como aplicação de Linguística –
descrição de línguas e ensino de línguas, notadamente estrangeiras.
Na Inglaterra por sua
vez, a história da Linguística tem inicio em 1957 com a fundação do
departamento de Linguística Aplicada de Edimburgo que projetou três dos maiores
linguistas aplicados de então: Pit Corder, Widdowson e Davies. É a partir do
trabalho de Widdowson, no final dos anos 1970, que surge a distinção entre L.A
e aplicação e Linguística. Widdowson critica a exclusão da pedagogia no ensino
de línguas.
Outra contribuição
signicativa para o desenvolvimento de L.A é a ampliação da área de investigação
de L.A que agora passa a abarcar contextos de ensino e aprendizagem de língua
materna, no campo dos letramentos e de outras disciplinas do currículo e em
outros contextos institucionais (mídia, empresas, delegacia policial, clínica
médica), é importante ressaltar as contribuições de estudiosos como Vygotsky e
Bakhtin, sobre a relevância de entender a linguagem como instrumento de
construção do conhecimento e da vida social- L.A centrada na preocupação com
problemas de uso da linguagem situados na práxis humana.
Sobre a L.A
indisciplinar o autor afirma que ela é indisciplinar no sentido de que
reconhece a necessidade de não se constituir como disciplina, mas como área
mestiça, e nômade, ou seja, perpassa outras disciplinas através da
intertextualidade – (L.A interdisciplinar- Sociologia, Psicologia, Antropologia e
a Pedagogia).
Logo entendemos a L.A
como modo de criar inteligibilidade sobre problemas sociais em que a linguagem
tem papel central, perdendo assim, o seu caráter solucionista e abandonando a
preocupação em se limitar à linguística como um componente teórico essencial.
Moita Lopes afirma que
é necessário reteorizar o sujeito social em sua heterogeneidade, fluidez e mutações,
atrelando a esse processo os imbricamentos de poder e desigualdades inerentes,
é essencial compreender que a racionalidade e os significados não são
anteriores aos seus usos em nossas performances nas práticas discursivas, somos
os discursos que circulamos e podemos modificá-los em tempo real, logo a
racionalidade é composta pela ideologia.
Outra característica importante
é que a problematização do conhecimento deve seguir uma lógica antiobjetivista
e antipositivista visando assim criar inteligibilidade sobre a produção de
conhecimento.
Desse modo a L.A contemporânea
indisciplinar, informada por teorizações que têm colocado indagações para as ciências
sociais, procura criar inteligibilidade sobre práticas sociais em que a
linguagem desempenha uma função central.


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