A distinção básica que caracteriza tematicamente
a literatura pós 64 é o fato que essa literatura deixa de apresentar como tema
principal a exploração do homem pelo homem, tema esse que foi dramatizado pelo
processo de conscientização político-partidária de atores sociais pertencentes
à classes do campo e operário que criticavam de forma velada ou aberta à
oligarquia rural e ao empresariado urbano.
É pelo abandono gradativo desse
tema que a literatura pós 64 se diferencia da literatura engajada e encontra a
sua originalidade temática. Refletindo sobre a maneira como funciona e atua o
poder, a literatura brasileira pós 64 desenvolve uma critica radical contra o
autoritarismo.
Nessa crítica ao autoritarismo e ao
poder militar, a literatura pós 64 se distancia ideologicamente dos anos 30,
aliado a isso, as diversas facções da esquerda se aglutinam em uma única frente
de resistência a qualquer forma de ditadura inclusive a do proletariado, todos
esses fatores irão direcionar o foco da literatura brasileira contemporânea para
a “violência do poder” que se torna a principal característica temática da
nossa literatura contemporânea. Dessa forma o escritor brasileiro contemporâneo
(pós 64), põe em segundo plano nos seus textos a dramatização de temas
universais e utopias da modernidade.
A opção dramática dessa literatura contemporânea
se inscreve nos temas que, no particular e no cotidiano, na cor da pele, no
corpo e na sexualidade. Ao tratar corretamente a questão do poder, a literatura
investiu contra os muros que aprisionavam o intelecto, a ação, a constituição
do espaço e o direito de gritar dos indivíduos.
Logo percebemos que essa literatura
contemporânea pós 64 não carrega mais o otimismo social que edificava antes o
texto literário, abandona os tons grandiosos e a alta retórica assumindo uma
postura amena e divertida em tom coloquial para tratar dos problemas
(temáticas) contemporâneos do nosso país.
Santiago (1989) trata sobre a
questão do intelectual, suas produções artísticas e a relação entre esse seu
fazer artístico e a política (cenário da
Democratização no Brasil) no que tange a como esse intelectual interfere na
sociedade através do seu poder e conhecimento, além do seu lugar de destaque
perante a massa. O autor busca evidenciar as principais transformações na
literatura brasileira, demonstrando assim, como os intelectuais contemporâneos utilizaram
a literatura como um veículo crítico-informacional com a intenção de denunciar
esse novo modelo governamental, sua forma de funcionamento e a violência do
poder.
Sobre essas novas temáticas que a
literatura brasileira contemporânea assume, vale ressaltar que autores como
Caio Fernando de Abreu e Clarice Lispector, em suas respectivas obras morangos
mofados e a Hora da Estrela, irão tratar de temas como a homossexualidade a as
mazelas sociais como a pobreza, a ignorância e a alienação das massas.


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