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A língua está em mim, me perpassa, faz parte da minha formação como ser social inserido num grupo. Compõe ainda a minha própria formação acadêmica já que resolvi após o primeiro curso superior (Administração), cursar Letras. Essa língua me representa em todos meus conflitos, pois suas características são iguais as minhas, um ser multifacetado, de exterior sóbrio e estático, mas no íntimo um turbilhão em movimento. Assim como um rio congelado que apresenta a sua superfície estática, mas o seu interior está sempre em movimento, num curso perene. Capacidade de adaptação e compreensão com singularidade e regionalidades tolerantes como próprios à língua. Escrever é para mim, como respirar, sinto essa necessidade e é através da escrita como afirmou Aristóteles que transitamos desde o terror até a piedade de nós mesmos e do outro. Esse ofício da escrita nos eleva, nos projeta, nos ressignifica quando tocamos o outro com as nossas palavras, seja no universo ficcional, biográfico ou autobiográfico. Escrever é uma necessidade, escrever é transpirar no papel as nossas leituras.

domingo, 19 de agosto de 2012

A LITERATURA COMO FORMA DE RESISTÊNCIA.


A distinção básica que caracteriza tematicamente a literatura pós 64 é o fato que essa literatura deixa de apresentar como tema principal a exploração do homem pelo homem, tema esse que foi dramatizado pelo processo de conscientização político-partidária de atores sociais pertencentes à classes do campo e operário que criticavam de forma velada ou aberta à oligarquia rural e ao empresariado urbano.
É pelo abandono gradativo desse tema que a literatura pós 64 se diferencia da literatura engajada e encontra a sua originalidade temática. Refletindo sobre a maneira como funciona e atua o poder, a literatura brasileira pós 64 desenvolve uma critica radical contra o autoritarismo.
Nessa crítica ao autoritarismo e ao poder militar, a literatura pós 64 se distancia ideologicamente dos anos 30, aliado a isso, as diversas facções da esquerda se aglutinam em uma única frente de resistência a qualquer forma de ditadura inclusive a do proletariado, todos esses fatores irão direcionar o foco da literatura brasileira contemporânea para a “violência do poder” que se torna a principal característica temática da nossa literatura contemporânea. Dessa forma o escritor brasileiro contemporâneo (pós 64), põe em segundo plano nos seus textos a dramatização de temas universais e utopias da modernidade.
A opção dramática dessa literatura contemporânea se inscreve nos temas que, no particular e no cotidiano, na cor da pele, no corpo e na sexualidade. Ao tratar corretamente a questão do poder, a literatura investiu contra os muros que aprisionavam o intelecto, a ação, a constituição do espaço e o direito de gritar dos indivíduos.
Logo percebemos que essa literatura contemporânea pós 64 não carrega mais o otimismo social que edificava antes o texto literário, abandona os tons grandiosos e a alta retórica assumindo uma postura amena e divertida em tom coloquial para tratar dos problemas (temáticas) contemporâneos do nosso país.
Santiago (1989) trata sobre a questão do intelectual, suas produções artísticas e a relação entre esse seu fazer artístico e a  política (cenário da Democratização no Brasil) no que tange a como esse intelectual interfere na sociedade através do seu poder e conhecimento, além do seu lugar de destaque perante a massa. O autor busca evidenciar as principais transformações na literatura brasileira, demonstrando assim, como os intelectuais contemporâneos utilizaram a literatura como um veículo crítico-informacional com a intenção de denunciar esse novo modelo governamental, sua forma de funcionamento e a violência do poder.
Sobre essas novas temáticas que a literatura brasileira contemporânea assume, vale ressaltar que autores como Caio Fernando de Abreu e Clarice Lispector, em suas respectivas obras morangos mofados e a Hora da Estrela, irão tratar de temas como a homossexualidade a as mazelas sociais como a pobreza, a ignorância e a alienação das massas.

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