Quem sou eu

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Salvador, Bahia, Brazil
A língua está em mim, me perpassa, faz parte da minha formação como ser social inserido num grupo. Compõe ainda a minha própria formação acadêmica já que resolvi após o primeiro curso superior (Administração), cursar Letras. Essa língua me representa em todos meus conflitos, pois suas características são iguais as minhas, um ser multifacetado, de exterior sóbrio e estático, mas no íntimo um turbilhão em movimento. Assim como um rio congelado que apresenta a sua superfície estática, mas o seu interior está sempre em movimento, num curso perene. Capacidade de adaptação e compreensão com singularidade e regionalidades tolerantes como próprios à língua. Escrever é para mim, como respirar, sinto essa necessidade e é através da escrita como afirmou Aristóteles que transitamos desde o terror até a piedade de nós mesmos e do outro. Esse ofício da escrita nos eleva, nos projeta, nos ressignifica quando tocamos o outro com as nossas palavras, seja no universo ficcional, biográfico ou autobiográfico. Escrever é uma necessidade, escrever é transpirar no papel as nossas leituras.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

DESVALIDO


Tenho muitos contatos, nenhum me procura. Tenho uma ansiedade sem cura. Sinto o abandono, transpiro solidão. Ando sozinho, exalo insatisfação.
Tenho o coração repudiado, o corpo estigmatizado, sou epígono do descaso.
Fui concebido na roda dos desvalidos, não conheço afeto. Olvidado diante de uma porta, recepcionado pela hipocrisia religiosa, cresci por amavios envenenado.
Anatematizo a moral, a ordem os padrões. Objetivo a estética, a verdadeira aparência do ser, a imagem da alma.

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