Quem sou eu

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Salvador, Bahia, Brazil
A língua está em mim, me perpassa, faz parte da minha formação como ser social inserido num grupo. Compõe ainda a minha própria formação acadêmica já que resolvi após o primeiro curso superior (Administração), cursar Letras. Essa língua me representa em todos meus conflitos, pois suas características são iguais as minhas, um ser multifacetado, de exterior sóbrio e estático, mas no íntimo um turbilhão em movimento. Assim como um rio congelado que apresenta a sua superfície estática, mas o seu interior está sempre em movimento, num curso perene. Capacidade de adaptação e compreensão com singularidade e regionalidades tolerantes como próprios à língua. Escrever é para mim, como respirar, sinto essa necessidade e é através da escrita como afirmou Aristóteles que transitamos desde o terror até a piedade de nós mesmos e do outro. Esse ofício da escrita nos eleva, nos projeta, nos ressignifica quando tocamos o outro com as nossas palavras, seja no universo ficcional, biográfico ou autobiográfico. Escrever é uma necessidade, escrever é transpirar no papel as nossas leituras.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

DESFECHO


                     Estou só, estive só, ando só. Será? Tive  a alma desnudada por recente. Beijei uma nuvem de felicidade, mas fora efêmera.
                      Tentei, esforcei, insisti, mas  no  final não adiantou, relevei, acreditei, renunciei a tudo: caprichos, orgulhos, amor, dor, e paciência, mas ao final não consegui.
                      Foi-me tirado tudo, em instantes felizes. Amanheci devastado, desolado, saqueado, subtraíram minha emoção, minha razão, minha satisfação.
                       Meu coração completo foi feito abjeto, meus sentimentos diletos tidos supérfluos. E o que dizer do amor? Triste castigo indireto que aprisiona a alma ao incerto, fazendo cada dia incompleto.

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