Quem sou eu

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Salvador, Bahia, Brazil
A língua está em mim, me perpassa, faz parte da minha formação como ser social inserido num grupo. Compõe ainda a minha própria formação acadêmica já que resolvi após o primeiro curso superior (Administração), cursar Letras. Essa língua me representa em todos meus conflitos, pois suas características são iguais as minhas, um ser multifacetado, de exterior sóbrio e estático, mas no íntimo um turbilhão em movimento. Assim como um rio congelado que apresenta a sua superfície estática, mas o seu interior está sempre em movimento, num curso perene. Capacidade de adaptação e compreensão com singularidade e regionalidades tolerantes como próprios à língua. Escrever é para mim, como respirar, sinto essa necessidade e é através da escrita como afirmou Aristóteles que transitamos desde o terror até a piedade de nós mesmos e do outro. Esse ofício da escrita nos eleva, nos projeta, nos ressignifica quando tocamos o outro com as nossas palavras, seja no universo ficcional, biográfico ou autobiográfico. Escrever é uma necessidade, escrever é transpirar no papel as nossas leituras.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

BEDIJAVESCO (Sem vergonha, cafajeste, em romanês, antiga língua dos ciganos europeus).




O coração feminino ama rápido, a mente fantasia depressa, alguns instantes e a sua alma está entregue.
Três visitas, três visitas bastam para as mulheres acreditarem que o sujeito se interessa por elas, que eles sabem como agradá-las, muitas vezes pós um turbilhão, uma briga, certos homens as desmontam, desarmando-as e apesar de sempre culpados, conseguem a inversão dos papeis, e lá estão eles no lugar da vítima. E as mulheres tolas, acabam acreditando que foram severas demais, que tratara-os duramente e assim, afim de se redimirem terminam perdoando os cafajestes e abrem precedentes para que os mesmos continuem agindo desse jeito; descompromissados emocionalmente, sempre com segundas intenções, interesseiros, grosseiros, oportunistas, exploradores, profanadores dos sentimentos femininos.
No final, quando o coração feminino alcança a alforria, está doente, enfermidade incurável, tal doença a impedirá pra sempre de ser feliz .

ESQUECIMENTO



Ao nascer esqueceu de reclamar para si felicidade. Não teve paternidade, nem cuidado, amor, ternura ou presença.
Fora vomitado no mundo como um corpo estranho que o organismo expele por sua natureza prejudicial ou incômoda.
Nos encontros da vida o amor lhe faltou, essa ausência reverberou por toda a sua existência, desencadeando uma busca vã e exaustiva por outro afeto qualquer que preenchesse o espaço deixado pelo sentimento ausente.
Ilusões povoaram a sua vida em vários momentos, porém nunca materializou a felicidade almejada. Teve as emoções devassadas, o coração vilipendiado e por fim fora abandonado.

ALEA JACTA EST


Inevitável, quando está determinado, é sempre inevitável! Quando é decisivo e você toma a decisão, é inevitável.
Não se pode adiar o inevitável, atrasar, no máximo, mas resolverá. Você pode maquiar a realidade e continuar. Agir como se o ocorrera o inevitável, prolongar depois do fim e fantasiar para sobreviver, porém nada restará de concreto, somente o real, inevitável.

I.D. H.



As datas não importava, não seguia as campanhas do marketing social que demarca o ano com suas festas mais significativas Carnaval, Pascoa, Mães, Pais, Crianças e o Natal.
Para aquela família não havia nada disso, viviam num limbo atemporal, direcionavam suas energias e expectativas para sobreviver à existência. A vida sem vida não seria possível, viver pressupõe existir bem, com a chamada; qualidade de vida que as agências de estudo econômico tanto comentam, elas utilizam um indicador que avalia as condições das famílias (IDH). Se analisassem a família em questão perceberiam que existe estatísticas que nunca foram catalogadas.
O dia era pequeno em 24 horas para que essa família ganhasse o sustento necessário para o aluguel, a alimentação, as roupas, e os matérias necessários para os estudos.
Eram como autômatos, foram programados para trabalhar constantemente, sem recompensas satisfatórias, eram alheios a tudo, o único pensamento que invadia as suas mentes era o da sobrevivência que produzia um sentimento de desespero a cada novo dia, diante das incertezas da vida.

quarta-feira, 14 de março de 2012

TEATRO




Márcia nasceu numa família de três irmãos, possuía um dom sem igual: amar de forma incondicional. A sabedoria da vida não a presenteara em vão.
Márcia amou muito cedo e cedo percebeu o seu martírio. Se relacionava com um homem aparentemente perfeito. Casado, ele não funcionava para ela.
Márcia só seria lembrada nos momentos difíceis da vida desse homem. Para ele Márcia era mais mãe que amante sempre a incumbindo de agradá-lo com presentes caros como perfumes ou a onerando com seus gastos nas grifes Surf Wear.
Márcia penava, mas amava. Até fantasiara uma realidade amorosa, porém no seu íntimo sabia ser preterida e objeto de interesse pecuniário.
Márcia, um dia, nunca mais. Resolvera por fim em tudo. Fechara-se para o mundo ao terminar com Júnior.
Afogava assim o dom da desilusão que alimentara por anos.
Márcia esta no Teatro, a cada peça interpreta um novo amor, desses que não vivenciou. Aprendera a arte desde o terror até a piedade, dos outros e de si, a vida a preparara para o Teatro.