Quem sou eu
- Amaral Souza De
- Salvador, Bahia, Brazil
- A língua está em mim, me perpassa, faz parte da minha formação como ser social inserido num grupo. Compõe ainda a minha própria formação acadêmica já que resolvi após o primeiro curso superior (Administração), cursar Letras. Essa língua me representa em todos meus conflitos, pois suas características são iguais as minhas, um ser multifacetado, de exterior sóbrio e estático, mas no íntimo um turbilhão em movimento. Assim como um rio congelado que apresenta a sua superfície estática, mas o seu interior está sempre em movimento, num curso perene. Capacidade de adaptação e compreensão com singularidade e regionalidades tolerantes como próprios à língua. Escrever é para mim, como respirar, sinto essa necessidade e é através da escrita como afirmou Aristóteles que transitamos desde o terror até a piedade de nós mesmos e do outro. Esse ofício da escrita nos eleva, nos projeta, nos ressignifica quando tocamos o outro com as nossas palavras, seja no universo ficcional, biográfico ou autobiográfico. Escrever é uma necessidade, escrever é transpirar no papel as nossas leituras.
domingo, 29 de março de 2015
Vícios.
Levanto cedo. Vejo o mundo por signos. Trabalho, corro, canto, amo. Me iludo, me iludo, me iludo... Ouço fantasias, sonho realidades, cicatrizo sentimentos.
Vivo conceitos, busco auxílio, perco soluções. O real me rejeita, o ideal me aceita, o tempo me aproveita. Sofro singular e anônimo. Corro na contramão do relacionamento.
Cem companheiros, nenhuma companhia. Sempre solitário, dia a dia. Não me iludo com a realidade, sou enganado mesmo, pelos sonhos.
domingo, 30 de novembro de 2014
Reticências...
Após a declinação do sol, e diante da presença da lua, a esperança concebeu o abandono. Forasteiro de minhas razões desfiz dos obstáculos: procurei, investiguei, investi.
Despi o sentimento, não houve recíprocas. Ressuscitou-se promessas, conversas, sorrisos, mas já era sabido que a realidade não retornaria. Havia fugido há tempos; fora da área ou desligado era a notícia presente. Resposta incompatível não tivera, impossível não se revelara, apenas ouvira sobre a demora, que a distância, seria a energia, o combustível do querer...
terça-feira, 14 de outubro de 2014
MEMORARE
Esquecer é uma lâmina cega que fere e amarrota a alma. É uma navalha afiada de fio perene, uma espada de dois gumes que dilacera e estanca o sentimento.
É a vida sem tino, é o amar sem notícias, é o silêncio da ausência. É esperar sem resposta, olhar para o telefone aguardando que ele toque mas o amor não vem...
... É estar inerte no além das emoções tristes, perdido nos domínios da inexatidão.
domingo, 24 de agosto de 2014
QUEER THEORY
Segundo Judith Butler,(1990) quando nos travestimos, não estamos imitando nenhum gênero original, uma vez que gênero já é em si uma imitação de algo que nunca existiu na realidade, que jamais possuiu um "original".
Apesar de comungar com as ideias da autora, confesso que nunca havia lido Judith Butler, nem as referências dela. Entretanto quando pensei em falar sobre esse tema , percebi que seu livro seria essencial para desenvolver a minha crítica.
Sempre fui reflexivo sobre as relações sociais e de poder, além de observador dos discursos e práticas sociais, (as possíveis materializações desses discursos). Percebia que alguns grupos apesar de se afirmarem "comunistas", eram dispersivos, mais pro chute que pra "sólida base teórica" - comunistas que nunca leram "O Capital". Só trechos.
O processo transgênero que a sociedade vem passando me aproximou das reflexões da Teoria Queer. Isso me fez perceber queda de sucessivas barreiras. A primeira barreira foi a da naturalidade dos gêneros, (masculino/feminino). Desde que nascemos, ou antes, somos classificados como uma de duas possibilidades: menina, de quem se espera tranquilidade, meiguice, para que no futuro, se tornem doces mamães e "Donas de casa".
E menino, de quem se espera agressividade e pontaria, para que no futuro, se tornem "Generais Patton" quem não se enquadra nesse padrão heterossexual e Bi-Gênero, é tido como esquisito anomalia. Em inglês, "Queer." A segunda barreira foi a da congruência necessária entre sexo, gênero e orientação sexual. Essa regra nasce da suposição de que a heterossexualidade seja a "base normal" do ser humano- não é, e as combinações possíveis são infinitas.
A terceira barreira foi a do espaço público. Tabus e proibições precisam ser enfrentados interna e externamente. Há o medo da agressão, da perda do respeito, do ridículo. A transgressão "escorrega" para dentro dos antigos modelos, gerando uma busca por representações impossíveis. Possível é superar esse bloqueio ao se compreender a abertura de que dispomos para atingir um novo patamar de auto-aceitação e de convívio social. Claro que é imprescindível a necessidade de estender a todas a s pessoas os direitos que foram criados para serem universais. E é isso que a Teoria Queer vem reclamar sacudindo as ideias sobre sexo, gênero e sociedade com questões novas e perturbadoras. Há quem se mantenha distante dessa inquietação toda. Nós porém, preferimos nos apropriar dessa teoria e fazer refletir sobre a impossibilidade de classificar os seres humanos em limitações de gêneros binários: exclusivamente masculinos e femininos.
segunda-feira, 28 de julho de 2014
O ESPELHO DE ÁLICE
Cedo gostava de escrever, ler, recitar. Tinta preta escrevia seus diários. Luto? Talvez... Nunca fora de amar certo, preterida sempre, amava amigos, mas esses não a correspondia.
Com os pés no caminho inverso, doava-se por completo, sempre angariando o tédio. Crescera nesse interstício- amor-dor-vexame-confusão. Alienaram suas emoções, buscavam definição: sofrimento como paga por tal transgressão.
Entretanto aprendera de Eliot: " que o fim de toda busca será chegarmos onde começamos e ver o local pela primeira vez." Iniciara agora de outra forma, porém da mesma maneira. Confiante e disposta a entregar-se. Antes do trigésimo dia, a decepção: a verdade em ação. Resolvera perdoar, relevando, amou a distância, transpareceu felicidades vivendo novidades.
Amanhecer. No reflexo visualizava o desejo, o conserto do mundo, a ordem das coisas, a arbitrariedade do signo, contrariedade no amor. Desejava abandonar a compreensão, conhecer a paixão, realizar a satisfação.
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