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Salvador, Bahia, Brazil
A língua está em mim, me perpassa, faz parte da minha formação como ser social inserido num grupo. Compõe ainda a minha própria formação acadêmica já que resolvi após o primeiro curso superior (Administração), cursar Letras. Essa língua me representa em todos meus conflitos, pois suas características são iguais as minhas, um ser multifacetado, de exterior sóbrio e estático, mas no íntimo um turbilhão em movimento. Assim como um rio congelado que apresenta a sua superfície estática, mas o seu interior está sempre em movimento, num curso perene. Capacidade de adaptação e compreensão com singularidade e regionalidades tolerantes como próprios à língua. Escrever é para mim, como respirar, sinto essa necessidade e é através da escrita como afirmou Aristóteles que transitamos desde o terror até a piedade de nós mesmos e do outro. Esse ofício da escrita nos eleva, nos projeta, nos ressignifica quando tocamos o outro com as nossas palavras, seja no universo ficcional, biográfico ou autobiográfico. Escrever é uma necessidade, escrever é transpirar no papel as nossas leituras.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

CASAMENTO



Casamento instituição falida, casamento promessa de sonho, casamento realização, completude feminina. Sempre acreditou-se dessa forma, quem não se casa não pode ser  feliz.
Festa, convidados, crianças, promessas de paz e prosperidade. Convivência a dois, paciência, tolerância, amor, vícios, manias, rotina, desilusão.
Vazio, indiferença, comodismo, costume, aparência, sentimento mecânico.
Ao contabilizar o casamento Cintia percebeu que o dinheiro é a mola mestra que sustenta a relação e a instituição de pé.
Não há casamento sem dinheiro, não há relacionamento sem custo, o amor não resiste à penúria.

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