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A língua está em mim, me perpassa, faz parte da minha formação como ser social inserido num grupo. Compõe ainda a minha própria formação acadêmica já que resolvi após o primeiro curso superior (Administração), cursar Letras. Essa língua me representa em todos meus conflitos, pois suas características são iguais as minhas, um ser multifacetado, de exterior sóbrio e estático, mas no íntimo um turbilhão em movimento. Assim como um rio congelado que apresenta a sua superfície estática, mas o seu interior está sempre em movimento, num curso perene. Capacidade de adaptação e compreensão com singularidade e regionalidades tolerantes como próprios à língua. Escrever é para mim, como respirar, sinto essa necessidade e é através da escrita como afirmou Aristóteles que transitamos desde o terror até a piedade de nós mesmos e do outro. Esse ofício da escrita nos eleva, nos projeta, nos ressignifica quando tocamos o outro com as nossas palavras, seja no universo ficcional, biográfico ou autobiográfico. Escrever é uma necessidade, escrever é transpirar no papel as nossas leituras.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

LETRAMENTOS MÚLTIPLOS – LENDO IMAGENS CRITICAMENTE



Kellner (2002) enfatiza que as imagens são veículos de significados e mensagens simbólicas.
O autor afirma que numa cultura pós-moderna, o indivíduo deve aprender como ler imagens criticamente e a deslindar as relações entre imagens, textos, tendências sociais e produtos numa cultura comercial.
Keller afirma ainda que capacitar os indivíduos a adquirir um alfabetismo crítico em relação à publicidade e a outras formas de cultura popular, significa desenvolver competências emancipatórias que possibilitam que os indivíduos se posicionem frente (resistam) à manipulação por parte do capitalismo de consumo. Além disso, também nos fornece habilidades que nos orientam a ler as tendências atuais na sociedade e a observar mudanças importantes nessa mesma sociedade.
 Desse modo, adquirir um alfabetismo crítico no domínio da aprendizagem da leitura crítica da cultura popular e da mídia implica aprender as competências de desconstrução, de compreender como os textos culturais funcionam, como eles significam e produzem significados como são produzidos para influenciar os seus leitores.
Logo um alfabetismo crítico contribui para reverter a tendência em direção à crescente impotência e alienação dos indivíduos numa sociedade capitalista.

A IDEALIZAÇÃO DO NOVO MUNDO



A descrição de Caminha era de cunho informacional, apesar de conter uma idealização exacerbada na descrição da paisagem, do elemento indígena, das potencialidades de retorno que a “nova Terra” poderia oferecer a longo prazo à Coroa Portuguesa.
Caminha na sua carta não se preocupa com estéticas literárias, já que como ele próprio afirma, se tratava de um documento informativo como tantos outros que foram escritos na tentativa de inteirar o Governo Português sobre as novas conquistas.
Souza (1995) propõe uma leitura imparcial, sem ressentimentos, através da qual busca entender como foi a primeira impressão causada pelo encontro entre o homem europeu civilizado, cristão e mercador e os seres humanos radicalmente distintos de si.
A autora afirma ainda que tal contato gerou uma violência cultural mais devastadora do que a violência da exploração econômica durante a tentativa de escravizar os indígenas.
Desse modo, a autora identifica nas ações dos Portugueses, a impossibilidade de conhecer e respeitar a diferença racial, de tolerar o outro, de admitir, como não contrária a si, a existência dos indígenas, povos originários, habitantes da terra e de sua particularidade cultural.
Contudo, na releitura feita da carta de Caminha após a idade média, certas atitudes dos colonizadores são encobertas, omitidas, ou reinterpretadas. Podemos citar como exemplo, a concepção do índígena como indivíduo preguiçoso devido à sua resistência frente ao processo colonizador/escravagista. Omissão do massacre indígena no confronto com os portugueses através da “versão” da cordialidade dos nativos para com o colonizador, mito que perdura até hoje, de que o brasileiro é cordial.
Guicci (1992) por sua vez, analisa a carta de Caminha sob dois aspectos: num contexto imperial e em outro momento, num contexto nacional. No primeiro momento, a carta é lida como documento histórico de cunho informativo.
No contexto nacional, no entanto, é elencada como documento de valor literário, marco para início do desenvolvimento de uma literatura nacional a fim de emancipar o Brasil literariamente de Portugal. Surge a partir daí o desenvolvimento de uma identidade nacional, baseada nos mitos criados a partir das inúmeras releituras da carta de Caminha, dos romances nacionalistas, ufanistas, nativistas.
Tal nacionalismo tinha base nos valores europeus, no idealismo do homem branco, já que o índígena não era pensado como um ser cultural.

A INVENÇÃO DA TRADIÇÃO



Anderson (1993), afirma que a identidade nacional é uma “comunidade imaginada”.  Como é imaginada a nação moderna? Há a narrativa da nação, tal como é contada e recontada nas histórias e nas literaturas nacionais, na mídia e na cultura popular.
Há ênfase nas origens, na continuidade, na tradição e na intemporalidade. A identidade nacional é representada como primordial – “esta lá, na verdadeira natureza das coisas.”
Hobsbawm e Ranger (1997) ao tratar sobre a invenção da tradição, afirmam que tradições que perecem ou alegam ser antigas são muitas vezes de origem bastante recente ou mesmo inventadas. Tradição inventada significa um conjunto de práticas de natureza ritual ou simbólica, que buscam inculcar certos valores e normas de comportamento através da repetição, a qual, automaticamente, implica continuidade com um passado histórico adequado.
Podemos exemplificar a invenção da tradição com o mito fundacional que consiste numa estória que localiza a origem da nação, do povo, e do seu caráter nacional num passado tão distante que eles se perdem no tempo (mítico) irreal, a exemplo da cidade de Roma com seu mito fundacional sobre Rômulo e Remo.
É a partir dos mitos fundacionais que são desenvolvidos as concepções sobre os povos que participam dessa tradição inventada, como a concepção de raça pura, a identidade nacional é também muitas vezes simbolicamente baseada na ideia de um povo puro, original. Mais nas realidades do desenvolvimento nacional é raramente esse povo primordial que persiste ou que exercita o poder.
Concluímos que o discurso da cultura nacional não é assim tão moderno como aparenta ser. Ele constrói identidades que são colocadas, de modo ambíguo entre o passado e o futuro.Ele se equilibra entre a tentação por retornar as glórias passadas e o impulso por avançar ainda mais em direção à modernidade.
Desse modo, nos leva a pensar as culturas nacionais como constituindo um dispositivo discursivo que representa a diferença como unidade ou identidade. Elas são atravessadas por profundas divisões e diferenças internas, sendo "unificadas" apenas através  do exercício de diferentes formas de poder cultural. Entretanto as identidades nacionais continuam a ser representadas como unificadas, através da expressão da cultura subjacente de um único povo.


sexta-feira, 3 de agosto de 2012

LINGUÍSTICA APLICADA E INTERDISPLINARIEDADE


Moita Lopes (2006) trata sobre o surgimento da Linguística, seu trabalho de descrever as línguas, e sobre o Compêndio contendo teorizações acerca o ensino de línguas (Comenius).
O autor afirma que o campo da L.A. tem inicio enfocando a área de ensino (aprendizagem) de línguas, na qual ainda hoje tem grande repercussão. Pesquisadores como Charles Freis e Robert Lodo nos EUA. Com seus estudos científicos do ensino de línguas estrangeiras que abarcavam também questões relativas à tradução, irão contribuir para o desenvolvimento as duas compreensões para a concepção de L.A., sendo as duas entendidas como aplicação de Linguística – descrição de línguas e ensino de línguas, notadamente estrangeiras.
Na Inglaterra por sua vez, a história da Linguística tem inicio em 1957 com a fundação do departamento de Linguística Aplicada de Edimburgo que projetou três dos maiores linguistas aplicados de então: Pit Corder, Widdowson e Davies. É a partir do trabalho de Widdowson, no final dos anos 1970, que surge a distinção entre L.A e aplicação e Linguística. Widdowson critica a exclusão da pedagogia no ensino de línguas.
Outra contribuição signicativa para o desenvolvimento de L.A é a ampliação da área de investigação de L.A que agora passa a abarcar contextos de ensino e aprendizagem de língua materna, no campo dos letramentos e de outras disciplinas do currículo e em outros contextos institucionais (mídia, empresas, delegacia policial, clínica médica), é importante ressaltar as contribuições de estudiosos como Vygotsky e Bakhtin, sobre a relevância de entender a linguagem como instrumento de construção do conhecimento e da vida social- L.A centrada na preocupação com problemas de uso da linguagem situados na práxis humana.
Sobre a L.A indisciplinar o autor afirma que ela é indisciplinar no sentido de que reconhece a necessidade de não se constituir como disciplina, mas como área mestiça, e nômade, ou seja, perpassa outras disciplinas através da intertextualidade – (L.A interdisciplinar- Sociologia, Psicologia, Antropologia e a Pedagogia).
Logo entendemos a L.A como modo de criar inteligibilidade sobre problemas sociais em que a linguagem tem papel central, perdendo assim, o seu caráter solucionista e abandonando a preocupação em se limitar à linguística como um componente teórico essencial.
Moita Lopes afirma que é necessário reteorizar o sujeito social em sua heterogeneidade, fluidez e mutações, atrelando a esse processo os imbricamentos de poder e desigualdades inerentes, é essencial compreender que a racionalidade e os significados não são anteriores aos seus usos em nossas performances nas práticas discursivas, somos os discursos que circulamos e podemos modificá-los em tempo real, logo a racionalidade é composta pela ideologia.
Outra característica importante é que a problematização do conhecimento deve seguir uma lógica antiobjetivista e antipositivista visando assim criar inteligibilidade sobre a produção de conhecimento.
Desse modo a L.A contemporânea indisciplinar, informada por teorizações que têm colocado indagações para as ciências sociais, procura criar inteligibilidade sobre práticas sociais em que a linguagem desempenha uma função central.


RELAÇÃO DE GÊNERO E DISCURSO SOCIAL



Giddens (2005) analisa as concepções de vários sociólogos como: Foucault (1978), Plummer (1975), Kinsey (1948), Bertelson (1986), Redman (1996), Rutherford e Chapman (1988), Lim (1988), dentre outros para tratar sobre cultura e sociedade, unidade e diversidade além dos imbricamentos comuns que perpassam essas temáticas.
 Os sociólogos distinguem sexo de gênero. O sexo refere-se às diferenças biológicas entre os corpos masculinos e femininos, enquanto o gênero diz respeito às diferenças psicológicas, sociais e culturais entre homens e mulheres.
Algumas pessoas afirmam que as diferenças entre os homens e as mulheres são geneticamente determinadas. Não há, contudo, nenhuma evidência conclusiva a sugerir uma base biológica para as diferenças de gênero.
A socialização do gênero refere-se ao aprendizado dos papéis de gênero com a ajuda dos organismos como a família e a mídia. Acredita-se que a socialização de gênero inicia já com o nascimento da criança. As crianças aprendem e internalizam as normas e as expectativas consideradas correspondentes  ao sexo biológico. Dessa forma, adotam os “papeis sexuais” e as identidades masculinas e feminina (a masculinidade e feminilidade) que os acompanham.
Alguns sociólogos crêem que tanto o sexo quanto o gênero são produtos socialmente construídos que podem ser moldados e alterados de várias formas. O gênero não somente carece de uma “essência” fixa, mas o próprio substrato de corpo humano pode ser mudado pelas influências sociais e pelas invenções tecnológicas.
As desigualdades de gênero refere-se às diferenças de status, poder e prestígio desfrutados pelas mulheres e pelos homens nos diversos contextos. Ao explicar a desigualdade de gênero, os funcionalistas enfatizam que a diferenças de gênero e a divisão sexual do trabalho contribuem para a estabilidade e a integração social. As abordagens feministas rejeitam a ideia de que a desigualdade de gênero é de alguma forma, natural.
As feministas liberais explicaram a desigualdade de gênero em termos de atitudes sociais e culturais, como o sexismo e a descriminação. As feministas radicais defendem que os homens são responsáveis pela exploração das mulheres através do patriarcado – a dominação sistemática das mulheres pelos homens. As feministas negras detectaram fatores como a classe e a etnicidade, além do gênero, como essenciais para entender a opressão experienciada pelas mulheres não brancas.
As relações de gênero referem-se às interações socialmente padronizadas entre homens e mulheres na sociedade. Alguns sociólogos afirmaram que existe uma ordem de gênero em que as expressões de masculinidade e feminilidade estão organizadas numa hierarquia que promove a dominação dos homens sobre as mulheres.
Nos últimos anos mais atenção foi dada à natureza da masculinidade. Alguns observadores crêem que as amplas transformações econômicas e sociais estão provocando uma crise da masculinidade, em que estão sendo desgastados os papéis tradicionais dos homens.
Embora haja uma base biológica para a sexualidade humana, a maior parte do comportamento sexual parece ser mais aprendida do que inata. As práticas sexuais variam largamente entre e no interior das culturas. No ocidente, a Cristandade foi importante para moldar as atitudes sexuais. Nas sociedades com códigos sexuais rígidos, são comuns a duplicidade dos padrões e a hipocrisia. O abismo entre as normas e práticas reais pode ser imenso, conforme mostram estudos sobre o comportamento sexual. No ocidente, as atitudes repressivas à sexualidade abriram um caminho para uma perspectiva mais tolerante, na década de 1960, cujos efeitos são óbvios ainda hoje.
A maioria das pessoas no mundo é heterossexual, ainda que haja também muitos gostos e inclinações sexuais minoritários. A homossexualidade parece existir em todas as culturas e, nos últimos anos, as atitudes para com os homossexuais tornaram-se mais flexíveis. Em alguns países, foram aprovadas leis que reconhecem as uniões homossexuais e concedem aos casais homossexuais os mesmos direitos que às pessoas casadas.
Sobre prostituição, os sociólogos afirmam que prostituição é a concessão de favores sexuais em troca de pagamento.Vários tipos diferentes de prostituição existem nas sociedades modernas, inclusive a prostituição feminina e infantil. A prostituição licenciada é aceita pelos governos nacionais e regionais em alguns países, mas na maioria dos Estados, as prostitutas trabalham ilegalmente.
Devido a isso, uma próspera indústria do turismo sexual voltada à prostituição brotou em algumas partes do mundo.